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Diego Moya-Ocampos: "a 'sombra' de Chávez continuará a influenciar o processo político na Venezuela"

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Diego Moya-Ocampos: "a 'sombra' de Chávez continuará a influenciar o processo político na Venezuela"

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Após a morte de Hugo Chávez, uma das grandes questões é que peso terá o legado do emblemático presidente venezuelano no futuro do país.

A euronews falou com Diego Moya-Ocampos, analista da consultora internacional IHS Global Insight, especializado na América Latina:

“Penso que Chávez será recordado como um homem que proporcionou à Venezuela enormes esperanças de mudança, em termos políticos, económicos e sociais. E foi bem-sucedido em manter viva essa esperança. Mas também será lembrado como o homem que falhou em colocar a Venezuela numa via de prosperidade e progresso. Será sempre lembrado como um homem que – apesar do carisma, poder ou influência – falhou em fortalecer as instituições democráticas da Venezuela, em combater a corrupção e em aumentar a segurança dos cidadãos. Continuará a ser uma figura não-consensual na Venezuela e a sua ‘sombra’ continuará, claramente, a influenciar o processo político. Agora, Maduro vai ser desafiado de um ponto de vista social e económico. Anunciou uma desvalorização da moeda e existe escassez de alguns alimentos básicos. Isto está a criar uma dinâmica muito interessante. De momento, os venezuelanos veem afetado o poder de compra. Por isso, penso que a grande questão agora é saber se os venezuelanos vão decidir pela continuidade do ‘chavismo’ através da figura de Nicolas Maduro, ou se vão optar pela mudança, com Henrique Capriles, o que representa claramente uma abordagem mais favorável aos negócios e uma aproximação ao centro.”

Os destinos da Venezuela são indissociáveis do petróleo, principal moeda de troca do país no panorama internacional. Segundo o analista da IHS Global Insight, o futuro do sector petrolífero venezuelano está dependente da escolha da população para a nova liderança política.

“Para o sector do petróleo, também é um momento crucial. Os principais intervenientes do sector mantêm em compasso de espera os planos de investimento para a faixa do Orinoco – rica em petróleo – até perceberem qual vai ser a liderança da Venezuela nos próximos anos. Aumentar a produção de petróleo é algo absolutamente essencial para a Venezuela e para Maduro, se quer ser eleito e se quer tentar dar continuidade ao processo político de Chávez. A maioria dos programas sociais introduzidos por Chávez não é sustentável nem vai sobreviver num contexto de descida dos preços do petróleo.”

Em termos das relações com os Estados Unidos, Moya-Ocampos acredita que pouco mudará, se o vice-presidente Nicolas Maduro conseguir suficiente apoio popular para dar continuidade ao movimento “chavista”.

“Maduro vai continuar com a retórica nacionalista, de esquerda e antiamericana, mas, no que diz respeito ao fornecimento de petróleo, a Venezuela vai continuar a ser bastante pragmática. Os Estados Unidos continuam, de facto, a ser o principal parceiro comercial da Venezuela.”

Em declarações ao Financial Times, o analista frisou que a morte de Chávez “cria um vazio de poder que será difícil de preencher” e vai “inevitavelmente, obrigar a uma reorganização da ordem política” na Venezuela.