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Ahmadinejad fura protocolo no adeus a Chavez

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Ahmadinejad fura protocolo no adeus a Chavez

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Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Irão, destacou-se nas cerimónias fúnebres oficiais de Hugo Chávez, realizadas esta sexta-feira, ao não resistir a tocar com as próprias mãos na urna onde repousava o corpo do presidente venezuelano. Chávez morreu, terça-feira, vítima de um ataque cardíaco, na sequência da feroz luta que travou durante cerca de dois anos contra um cancro e que acabou por perder.

O corpo de Chávez foi transladado do Hospital Militar de Caracas, onde o governante deixou o último suspiro, para a Academia Militar da capital, onde ficou desde quarta-feira em câmara ardente.

Esta sexta-feira realizou-se a cerimónia fúnebre oficial, com a presença de mais de 20 chefes de Estado. num total de 50 representações governamentais de todo o mundo. Para além do já referido presidente do Irão, na cerimónia esteve igualmente Paulo Portas, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, que interrompeu uma visita oficial à Índia para prestar esta derradeira homenagem a um governante que descreveu como “um amigo de Portugal.”

A cerimónia oficial desta sexta-feira arrancou com mais de uma hora de atraso. Depois do hino da Venezuela, seguiu-se a deposição, na urna, de uma réplica da espada de ouro de Simón Bolívar, símbolo da revolução política que Hugo Chávez liderou nos últimos anos na América do Sul.

Houve lugar, posteriormente, a uma sucessão de guardas de honra ilustres neste adeus a Hugo Chávez. Em grupos de oito, primeiro, chefes de governo colocaram-se ao lado da urna, com o príncipe Filipe de Espanha a destacar-se numa das primeiras séries. À quarta, deu-se o momento de Ahmadinejad. O presidente do Irão juntou-se ao presidente da Bielorrússia, Aleksander Lukachenko e ao filho deste, numa guarda de honra tripartida. No final, Ahmadinejad não resistiu e tocou com as próprias mãos na urna de Chávez num gesto que completou com um sinal de vitória com o punho.

As guardas de honra completaram-se com um grupo de jovens e desportistas descritos como a “geração de ouro” da Venezuela.

Um novo momento musical sucedeu-se antes de uma missa conduzida, entre outros, pelo pastor norte-americano Jesse Jackson, que nas suas palavras deixou uma mensagem de esperança para que as sensíveis relações entre os Estados Unidos e a Venezuela possam melhorar no futuro.

Um tema sensível que o ainda vice-presidente Nicolás Maduro não esqueceu, no caloroso discurso com que encerrou as cerimónias fúnebres oficiais e no qual, pelo meio, se dirigiu, várias vezes, diretamente, a Hugo Chavez, como se ainda pudesse falar com ele. A Barack Obama, com muita ironia, Maduro agradeceu o envio de uma muito modesta delegação encabeçada por dois congressistas.

Nicolás Maduro, por conseguinte, é agora o homem forte da Venezuela. Vice-presidente desde as eleições de outubro, foi o escolhido por Hugo Chávez, em dezembro, para lhe suceder como presidente, caso ele não recuperasse em condições de tomar posse em janeiro. Para isso, Chávez pediu o apoio do povo venezuelano para Maduro, numa decisão que desde logo levantou críticas entre a oposição, que ameaçou, inclusive, com uma queixa judicial para evitar o que considerou um desrespeito pela Constituição da Venezuela.

Lê-se na Constituição venezuelana que, caso o presidente eleito não tenha por alguma razão condições para ser empossado, infringindo numa chamada “falta absoluta”, deve ser substituído interinamente pelo presidente da Assembleia Nacional, que é atualmente Diodado Cabellos, até ao novo ato eleitoral. Numa interpretação diferente, o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano considerou que este era um caso diferente, por se tratar de uma reeleição e não de um novo Presidente. Por essa razão, cabe ao vice-presidente assumir o lugar interinamente, decidiu o tribunal.

A coligação dos partidos da oposição ao chamado “chavismo”, a Mesa de Unidade Democrática, reagiu de pronto e acusou a confirmação do tribunal à tomada de posse de Maduro como “uma violação da ordem constitucional”. Os opositores de Chávez veem nesta sucessão um primeiro “ato eleitoral”, uma vez que Maduro será o candidato da continuidade nas eleições presidenciais previstas já para abril.

No boletim de voto, por outro lado, deverá surgir uma vez mais Henrique Caprilles, figura proeminente do partido Primeiro Justiça, governador do Estado de Miranda e o candidato presidencial derrotado por Chávez nas eleições de outubro. Caprilles também reagiu negativamente à decisão do Supremo Tribunal de Justiça venezuelano, que catalogou, via Twitter, como “uma fraude.”

Críticas à parte, Nicolás Maduro será mesmo empossado ao início da noite em Caracas (00h30, em Lisboa) como presidente interino da Venezuela. Um porta-voz da Mesa de Unidade Democrática anunciou que os partidos da oposição não estarão presentes nesta tomada de posse, que fecha o dia das cerimónias fúnebres oficias de Hugo Chávez. O corpo do líder político da Venezuela irá manter-se em câmara ardente por mais sete dias, na Academia Militar, de forma a permitir que mais venezuelanos possam despedir-se daquele a quem tratam como “El Comandante”.

Posteriormente, segundo anunciou Nicolas Maduro na quinta-feira, o corpo de Hugo Chavez deverá ser embalsamado e depositado numa urna de vidro, que ficará exposta no Museu da Revolução, um espaço ainda em construção no Quartel da Montanha, local de onde Chávez lançou, em 1992, o golpe de Estado que tentou na Venezuela antes de subir democraticamente ao poder sete anos depois.

  • Caracas: funeral of Hugo Chavez

    euronews / Luis Carballo

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