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Globovisión, o último canal "rebelde" da Venezuela

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Globovisión, o último canal "rebelde" da Venezuela

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A sede da Globovisión, em Caracas, parece um “bunker”. Único canal de televisão com uma postura crítica face ao poder venezuelano, conta com uma proteção policial reforçada desde a morte de Hugo Chávez.

Para um grande número de “chavistas”, dentro destes muros escondem-se “traidores e mentirosos”. No dia da morte do emblemático presidente, dezenas de apoiantes cercaram o local, segundo os jornalistas do canal, com uma atitude agressiva.

A equipa da Globovisión denuncia um assédio permanente do governo. A diretora de informação, Elsy Barroeta, diz que entre as estratégias usadas estão pressões às fontes publicitárias, ameaças aos investidores e influenciar a opinião pública contra o canal.

Barroeta afirma que “condenam [os jornalistas] e, de certa forma, provocam reações do público, que acaba também por condenar e mesmo atacar fisicamente. Isso já aconteceu nalguns casos. É uma forma de pressão bastante dura, talvez a pior, porque [os jornalistas] trabalham todos os dias na rua”.

Derek Blanco sentiu na pele as agressões de apoiantes do governo e recorda o dia em que, em frente à Assembleia Nacional, a sua equipa teve de ser resgatada pela Polícia.

Blanco diz que “assim que viram a camisola do operador de câmara, com o símbolo da Globovisión, cercaram-nos. Nem queríamos entrevistá-los, porque estavam ali para protestar por uma razão distinta, mas tentaram tirar-nos a câmara. A situação tornou-se bastante tensa, começaram a dar-nos murros e eram cerca de cinquenta, enquanto nós éramos dois”.

O enviado da euronews a Caracas, Luis Carballo, diz que “uma das faces mais negras do ‘chavismo’ é a atitude face à imprensa. Na última década, os meios de comunicação críticos praticamente desapareceram. Dezenas de rádios e televisões foram fechadas ou compradas pelo governo. O último canal rebelde é a Globovisión, mas por quanto tempo?”