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Os desafios do papa Francisco

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Os desafios do papa Francisco

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Criou a surpresa ao surgir na varanda do Palácio Episcopal. E não apenas pelo nome e pela origem argentina, mas também pela atitude, mais próxima de um padre diante dos paroquianos do que de um Pontífice romano.

Uma imagem bem diferente da de Bento XVI na mesma ocasião, em 2005, e não só pelas vestes escolhidas por um e por outro na primeira aparição após a escolha dos cardeais. A mensagem da mudança estava lá e os católicos viram, ouviram e parece terem apreciado.

“Reparei que, na noite passada, o papa não tinha a Mozzetta vermelha com a guarnição de arminho. Já é um pequeno sinal de corte com a tradição”, refere um peregrino.

A oração dos cardeais parece ter sido ouvida. Na homília antes do início do conclave, o decano do colégio dos cardeais, Angelo Sodano, tinha pedido:

“Queremos implorar ao senhor que, através da solicitação pastoral dos cardeais, queira brevemente conceder um novo bom pastor à sua santa Igreja”.

A Igreja Católica tem o seu pastor e1200 milhões de fièis em todo o mundo. Mas o número não pára de regredir em toda a Europa ocidental. A evangelização, a reconquista espiritual da antiga praça forte de Igreja de Roma, parece uma prioridade, mas também um desafio para o papa Francisco, com vista a uma grande secularização da sociedade europeia.

Ma será isto possível sem uma renovação da Igreja? Uma adptação à evolução da sociedade? A crise das vocações na Europa, o celibato dos padres, a exclusão das mulheres do sacerdócio, a hierarquia pirâmidal e gerontocrática que dirige a Igreja estão entre as grandes questões que esperam resposta.

Há outros problemas mais prosaicos à espera do novo papa, como o Banco do Vaticano que precisa de se submeter às normas da agência europeia Moneyval, que supervisiona a origem do dinheiro dos bancos, para acabar de vez com as suspeitas.

Espera-se também que reforme a governação da Santa Sé, para a tornar mais eficaz e, para isso, terá que tornar as decisões dos organismos da Cúria, colegiais, como pedem os cardeais que não pertencem à Cúria.