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Bento XVI e a Alemanha: Um caso de amor e ódio

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Bento XVI e a Alemanha: Um caso de amor e ódio

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A 11 de fevereiro Bento XVI surpreendeu o mundo e a Igreja ao anunciar que renunciava ao pontificado. A resignação surpreendeu, apesar do Papa emérito ter sempre defendido que tomaria esta decisão caso considerasse não ter condições físicas e espirituais para continuar no lugar de Pedro.

Os alemães rejubilaram quando, a 19 de abril de 2005, os cardeais elegeram o bávaro Joseph Ratzinger para líder da Igreja Católica. O apoio dos germânicos foi confirmado quando Bento XVI fez uma visita simbólica ao campo de concentração de Auschwitz.

O clima de romance terminou, em 2009, depois de o Papa ter readmitido na Igreja o bispo britânico Richard Williamson. O prelado causou polémica ao colocar em causa a existência do Holocausto e das câmaras de gás. Uma medida mal recebida na Alemanha.

Os casos de abuso sexual de menores, por membros da Igreja católica alemã, geraram desconfiança entre os fiéis germânicos. Mais de 180 mil alemães abandonaram a Igreja Católica, em 2010. Nesse ano foi tornado público que o arcebispo de Munique, na década de 80, acolheu um padre pedófilo para que fosse tratado. Na época o arcebispo era Joseph Ratzinger.

O historiador John Pollard crê ser essa a razão de Bento XVI querer permanecer no Vaticano. “Há muita preocupação no Vaticano em relação a futuras acusações financeiras mas também legais, contra a Igreja e, talvez, até contra o antigo Papa. Penso que seja por isso que ele vai ficar a viver no Vaticano e não na sua Baviera natal. No Vaticano ele fica imune a qualquer acusação,” conclui.

Joseph Ratzinger fica, até ao final da sua vida, a viver no Vaticano, enquanto Papa emérito, num edifício que foi sede de um convento de irmãs de clausura. É provável que nunca mais regresse à Alemanha.