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Chipre: "Não se aprendeu nada com a crise grega"

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Chipre: "Não se aprendeu nada com a crise grega"

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“Um pequeno país como o Chipre, com cerca de um milhão de pessoas, terá capacidade para pagar um empréstimo da troika equivalente à riqueza criada num ano? Conceder a Chipre um acordo menos favorável do que aconteceu com Portugal, Irlanda e Grécia poderá deixar os mercados nervosos sobre o futuro da zona euro? São as questões em aberto nesta reunião extraordinária do Eurogrupo”, descreve a jornalista Isabel Marques da Silva.

A eleição do presidente liberal Nicos Anastasiades deu um novo fôlego às negociações entre a zona euro e o Chipre, que se arrastavam desde junho. O problema é o montante dos empréstimos solicitados, algo que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, diz querer “assegurar que há estabilidade na zona euro e que há um novo caminho sustentável possível para o Chipre. É dentro destes limites que se deve encontrar uma solução”.

Chipre estima precisar de 17 mil milhões de euros, mas o FMI só participa se o empréstimo não exceder os 10 mil milhões e se o resto passar por privatizações e reestruturação da dívida.

Maria João Rodrigues, conselheira especial das instituições europeias, é mais favorável “a uma solução que dependa cada vez mais de mecanismos europeus e não tanto do Fundo Monetário Internacional”. Por outro lado, “a rapidez de resposta é um ponto-chave da eficácia política e é lamentável que a decisão do caso do Chipre – ainda por cima por ser um país de pequena dimensão – se esteja a arrastar dessa maneira. Pode-se dizer que não se aprendeu nada com a crise grega”, conclui.

À falta de acordo imediato, e para beneficiar rapidamente de ajuda financeira, o Chipre deverá apelar à ajuda da Rússia já na segunda-feira.