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Controvérsia com C de Colesterol

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Controvérsia com C de Colesterol

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A polémica gira em torno da prescrição de estatinas, para reduzir o colesterol e prevenir as doenças cardiovasculares. Alguns cientistas acreditam que este grupo de medicamentos é usado sem moderação e que se contam mais desvantagens do que benefícios. A controvérsia atingiu um novo auge em França, com a publicação de um guia sobre medicamentos perigosos, que muitos especialistas consideram inúteis.

Desde que teve um ataque cardíaco, Stéphane Ricois vai regularmente ao hospital. Combina todos os fatores de risco: tabaco, má alimentação e falta de exercício.

Stéphane Ricois, paciente: “Antes do médico me ter dito, não sabia que tinha o colesterol alto. Nunca tinha feito análises antes, porque sentia-me bem”.

Agora toma um medicamento da família das estatinas. Apesar da controvérsia, muitos médicos continuam considerar que são comprimidos milagrosos.

Nicolas Danchin, Cardiologista Sénior, Hospital G. Pompidou: “Em pacientes coronários, pessoas que tiveram um ataque cardíaco ou anginas, as estatinas não só reduzem o risco de acidente, mas também diminuem o risco de morte, mais precisamente, afastam esse risco, e aumentam a expectativa de vida desses pacientes, de forma bastante significativa.”

As estatinas estão entre os medicamentos mais prescritos no mundo. E de acordo com a agência de saúde francesa a eficácia compensa os efeitos colaterais.

Joseph Emmerich, Diretor Ansm: “Estes medicamentos têm sido muito bem analisados em termos de efeitos secundários e na vigilância, de qualquer forma, poucos medicamentos podem reduzir a mortalidade em 10% como estes.”

Renaud de Langlade gere várias empresas. No passado, tinha um elevado nível de colesterol e tomou estatinas durante 10 anos.

Renaud de Langlade, paciente: “Principalmente sentia fadiga. À noite, quando chegava em casa, sentia-me exausto, sem energia, nada. E quando digo nada, não queria fazer mesmo nada, o que me causou problemas. De manhã, quando estava de volta ao escritório, estava desmotivado, não estava 100% com os clientes. Quando parei com as estatinas, ainda não tinha reiniciado o desporto, mas senti-me muito melhor, 10 vezes melhor. Sem ansiedade, sem stress, sem mais problemas e consegui dormir! Tenho o ritmo de trabalho normal que tinha antes de tomar estatinas.”

Tal como outros colegas cardiologistas, Michel de Lorgeril pensou durante muito tempo ser necessário prescrever estatinas, para reduzir o nível de colesterol. Agora defende que é inútil e até mesmo perigoso.

Michel de Lorgeril, Cardiologista e Investigador, Universidade de Grenoble: “Inevitavelmente, vamos chegar à conclusão que esses medicamentos são desnecessários e tóxicos, que devem ser retirados do mercado e excluídos da lista de medicamentos reembolsáveis da segurança social. Como os professores Evin e Debré já disseram, se quiser proteger-se de doenças cardiovasculares e derrames, deve voltar-se para algo diferente dos medicamentos para o colesterol”.

Fazer desporto, não fumar e uma alimentação baseada numa dieta mediterrânica são outras formas de prevenção, ao alcance de todos.