Última hora

Última hora

O jesuíta Francisco subiu ao trono de Pedro

Em leitura:

O jesuíta Francisco subiu ao trono de Pedro

Tamanho do texto Aa Aa

A mensagem do Papa Francisco tem sido de humildade, mas hoje a ocasião era de grandiosidade. Jorge Mario Bergoglio presidiu à missa que assinalou o início do seu pontificado, na Praça de São Pedro, recebendo os dois símbolos maiores do poder papal.

O cardeal proto-diácono, Jean-Louis Tauran, que, na semana passada, anunciou ao mundo o nome de Bergoglio como o sucessor de Bento XVI, após um célere conclave, entregou-lhe o pálio, a faixa confecionada pelas monjas de Santa Cecília com a lã de dois cordeiros.

Em seguida, foi a vez de Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício, depositar na mão direita de Francisco o Anel do Pescador, feito de prata dourada, e não de ouro como habitualmente. O modelo do anel foi inspirado no que o escultor italiano Enrico Manfrini concebeu para Paulo VI, evocando, como sempre, a imagem de São Pedro com uma representação das chaves do Paraíso.

Mais de 130 delegações oficiais vieram marcar presença nesta homilia inaugural. Eram numerosos os chefes de Estado da América Latina, entre a argentina Cristina Kirchner, com quem o Papa esteve reunido ontem, o mexicano Enrique Pena Nieto, o chileno Sebastián Piñera e a presidente brasileira, Dilma Rousseff. Cavaco Silva representou Portugal. Durão Barroso compareceu em nome da Comissão Europeia; Herman Van Rompuy, pelo Conselho Europeu. O vice-presidente americano, Joe Biden, também se deslocou até ao Vaticano. A vinda de figuras como o presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, e o de Taiwan, Ma Ying-jeou, levantou controvérsia em torno das representações diplomáticas.

Todo a cerimónia respeitou rigorosas etapas ritualizadas. Antes da missa, no interior da basílica, o Papa Francisco desceu até à cripta de São Pedro, onde procedeu a uma oração juntamente com os patriarcas católicos do rito oriental. Posteriormente, receberia o voto de obediência de seis cardeais, em nome dos 207 que compõem o Colégio Cardinalício.

O antigo arcebispo de Buenos Aires, que escolheu o nome em homenagem a Francisco de Assis, percorreu longamente a Praça de São Pedro, onde foi acolhido em festa pela multidão que o aguardava – cerca de 200 mil pessoas, de acordo com o Vaticano – tendo mesmo descido do veículo para cumprimentar alguns fiéis.