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"A crise é como um buraco negro"

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"A crise é como um buraco negro"

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A bolha imobiliária rebentou em 2007 e arrastou a Irlanda para um buraco financeiro. A nacionalização dos bancos obrigou o país a multiplicar por quatro a dívida do Estado e o défice orçamental superou os 32 . Até 2010 o Produto Interno Bruto recuou 15. Mas em 2011 o antigo “tigre celta” voltou ao crescimento. Este ano, irregular, anda em terreno negativo.

Em Dublin, quem passou por momentos difíceis conta como é, numa altura que Chipre está à beira do precipicio. “Têm que se agarrar bem porque é muito difícil. É uma dificuldade constante, com mais impostos. É uma machadada! quando estamos convencidos de que já não há mais para nos tirarem, eles vêm e tiram-nos mais um pouco. Sentimos que é uma espécie de buraco negro”, refere uma irlandesa. “Quando a maioria das pessoas enfrenta uma coisa destas pela primeira vez a reação é culpar as autoridades e vão dizer porque é que nos fazem isto, mas a realidade é que eles próprios, muitos deles escolheram isso”, diz um homem.

Para Alain McQuaid, economista da corretora Merrion Stockbrokers em Dublin é preciso distinguir a natureza das duas crises bancárias.

“No caso de Chipre é um pouco diferente. O dinheiro foi movimentado para o país, existem algumas dúvidas sobre a legitimidade. Mas o que se pode dizer é que o sistema não podia sobreviver da forma que estava, tanto em Chipre como na Irlanda”, afirma o economista.