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Negociação sobre o Kosovo

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Negociação sobre o Kosovo

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Mitrovica, a cidade dividida e símbolo do conflito étnico entre sérvios e albano-kosovares pode conseguir uma solução para o território. Em véspera do reabertura das negociações entre a Sérvia e o Kosovo, sob mediação da União Europeia, apenas sobre o norte da cidade,parece haver alguma abertura para uma possível reunificação.

Mas os habitantes, de maioria sérvia, recusam categoricamente a soberania de Kosovo, adquirida em fevereiro de 2008, com a proclamação da independência.

Gordana Djokovic, sérvia de Mitrovica, dá voz â opinião geral.

“Isto vai ser sempre Sérvia, e não vamos para mais nenhum lado. Não me importo com o que se resolverem: vamos sobreviver aqui.”

Belgrado pede o reconhecimento de uma autonomia reforçada para os 50 mil sérvios do Kosovo, ou seja, dotá-la de poderes executivos com um governo próprio que inclua o controle da polícia e da justiça.

Para Milan Ivanovic, presidente do Conselho Nacional Sérvio, a autonomia é ponto assente:

“Se quiserem forçar-nos a adotar outra solução, famos formar uma associação de municípios sérvios na república da Sérvia que ficara aberta também aos municípios sérvios do sul do rio Ibar.”

A proposta sérvia, da Associação de Municípios Sérvios do Kosovo, reagrupa dez municípios com maioria sérvia, quatro no norte e seis no resto do Kosovo.

Sábado, dia 30 de março, dois mil albano-kosovares manifestaram-se contra um eventual acordo de autonomia aos sérvios em Bruxelas, o que abriria a via para uma anexação de facto do norte do Kosovo, segundo os ativistas.

Na véspera, o primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaci, foi tranquilizar os albano-kosovares dos bairros do norte de Mitrovica, como a família de Ali Kadrij:

Presidente kosovar Hashim Thaci:

“A associação de municípios sérvios pode ser criada depois das eleições autárquicas, depois da eleição dos dirigentes, e então poderão integrar a associação. Mas não vai ter um mandato legislativo ou executivo, nem governo alterativo”.

Mas, para Ali Kadrij, é impensável deixar o bairro Kroi i Vitakut., no norte do Kosovo:

“Não tenho influência no futuro, não sou político. Não sei, mas digo-vos uma coisa: não me vou embora daqui. Aconteça o que acontecer, não partirei”.

Para acabar com esta divisão, artificialmente criada no tempo da União Soviética (enclaves onde se atenuavam as maiorias), a União Europeia estendeu a mão a Belgrado, que pretende iniciar as negociações para a adesão, em Junho. Deixa, assim, ao Kosovo a perspetiva de uma nova etapa durante a sua reaproximição a Bruxelas.