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Governo francês diz que Cahuzac lhe "mentiu" mas oposição desconfia

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Governo francês diz que Cahuzac lhe "mentiu" mas oposição desconfia

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O governo francês apressou-se a reagir ao escândalo que envolve o ex-ministro do Orçamento. O presidente François Hollande sublinhou, em comunicado, que Jérôme Cahuzac “cometeu um erro moral imperdoável”.

O chefe do governo, Jean Marc-Ayrault, afirmou por seu lado que “Jérôme Cahuzac mentiu ao Presidente da República e ao primeiro-ministro. Um homem político deve ser irrepreensível, mais do que qualquer outro cidadão. Deve ser um exemplo e, primeiro que tudo, respeitar a lei”.

Para a oposição conservadora, a mentira de Cahuzac “marca definitivamente o fim da esquerda moral”.

O líder da União para um Movimento Popular, Jean-François Copé, frisou que “a questão paira em todas as mentes: é difícil imaginar que François Hollande nunca foi informado de nada, já que Jérôme Cahuzac era ministro do Orçamento e eles tiveram claramente muitas explicações sobre estes assuntos”.

Para o diretor do site de informação que revelou pela primeira vez o escândalo, a confissão do ex-ministro terá um alcance bastante mais vasto.

Edwy Plenel, disse, numa entrevista telefónica à euronews, que se trata de “um sismo democrático, do qual não podem ser medidas ainda todas as consequências, que faz tremer uma oligarquia – no cruzamento entre a potência política e o interesse económico, financeiro e pessoal -, que se julgava proprietária da república, que pensava estar acima das leis e que hoje se apercebe que as leis também lhe são aplicadas. O ponto onde a democracia francesa foi ‘um mau aluno’ é que, neste caso, foram precisos quatro meses de teimosia por parte de um pequeno jornal independente como o Mediapart para que esta história derrube um muro de negações e mentiras e isso não é normal”.