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Kaesong, história de uma cooperação falhada

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Kaesong, história de uma cooperação falhada

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A zona industrial de Kaesong é fruto da tentativa de aproximação entre as duas Coreias e começou a ser construída há dez anos.

Foi um projeto financiado, em grande medida, pela Coreia do Sul.Apenas a dez quilómetros da fronteira, os norte-coreanos que aqui trabalham podem ter um cheirinho, embora muito superficial, do que é a vida no sul. A Coreia do Norte beneficia das receitas, enquanto o sul tem aqui uma mão-de-obra bastante mais barata.

A zona industrial de Kaesong trouxe aos cofres da Coreia do Norte, desde a criação, todos os anos, mais de 1,5 mil milhões de euros.

O complexo fabrica produtos para 123 empresas sul-coreanas, que vão dos têxteis às peças automóveis e aos semicondutores.

Mais de 50.000 norte-coreanos trabalham aqui e ganham um total de 62 milhões de euros anuais, o que corresponde a um salário entre 100 e 150 euros mensais por cada trabalhador, um valor muito abaixo do salário médio sul-coreano, mas muito maior que um salário do norte.

Até agora, os sul-coreanos podem entrar neste complexo sem precisarem de visto. Os trabalhadores têm acesso a lojas “duty-free” com produtos do sul.

Tudo isso pode agora vir a mudar com a proibição da entrada de sul-coreanos no complexo, ditada pelas autoridades de Pyongyang. É a própria sobrevivência de Kaesong que está em jogo, já que é do sul que vem a maior parte do saber-fazer que permite o funcionamento do projeto.