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Amnistia Internacional: "Comunidade cigana é a mais discriminada da Europa"

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Amnistia Internacional: "Comunidade cigana é a mais discriminada da Europa"

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O povo cigano é o mais discriminado de toda a Europa. A conclusão é da Amnistia Internacional. A organização acusa as autoridades os países europeus de pouco fazerem para melhorar a situação desta minoria étnica, que tem seis milhões de pessoas em todos os Estados-membros.

Nicolas Beger, diretor da delegação europeia da Amnistia Internacional lembra que “a situação do povo cigano não tem melhorado. Têm sido feitos esforços ao nível europeu, mas os Estados-membros não estão a avançar significativamente para mudar a situação.”

Esta segunda-feira foi celebrado o dia internacional do povo cigano e esta terça-feira, a Amnistia Internacional foi ao Parlamento Europeu apresentar mais uma campanha de defesa dos direitos desta minoria e pedir às instituições mais medidas de proteção.

Recorde-se que em 2000, a União Europeia aprovou a Directiva de Igualdade Racial que proíbe qualquer discriminação com base na raça ou etnia no local de trabalho, na educação, no acesso a serviços e bens, na habitação e serviços de saúde.

Em Portugal, o Governo aprovou, a 27 de Março deste ano, a Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, uma iniciativa da Comissão Europeia. No país a população cigana deve rondar as 40 mil a 60 mil pessoas.

Em toda a Europa, a maioria dos ciganos enfrenta graves problemas, até de sobrevivência: 8 em cada 10 está em risco de pobreza; apenas 1 em cada 7 completou uma educação secundária.

Claudia Greta, cigana e ativista dos direitos dos ciganos, na Roménia, explica que “o povo cigano é discriminado em todo o lado: nos autocarros, nas ruas. Não conseguem trabalho porque são ciganos, existe discriminação na escola.”

Na época dos governos comunistas da Europa Central e de Leste, foram entregues casas e foram dados trabalhos a muitas comunidades ciganas. Mas as mudanças políticas alteraram este cenário, que se tornou pior.

Henry Scicluna, conselheiro do Conselho Europeu para as questões do povo cigano, explica que muitos ciganos “perderam os trabalhos porque as fábricas onde trabalhavmam fecharam, não conseguem pagar as rendas, foram despejados, em alguns casos de casas construídas por eles próprios. Perderam tudo com as mudanças políticas.”