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O lado negro da matéria

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O lado negro da matéria

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A matéria negra é um dos mais profundos mistérios do universo: ninguém a pode ver, mas os cientistas sabem que existe. É a cola que mantém o universo unido. E agora os físicos estão à beira de resolver o mistério. Cientistas da Nasa afirmam que partículas de matéria escura podem ter sido detetadas no espetrómetro magnético Alpha da Estação Espacial Internacional.

A matéria negra pode constituir cerca de um quarto do nosso universo.

Cristiano Galbiati, Físico: “Sem a matéria negra, o universo não seria como é hoje. A quantidade de matéria, que é pesada e lenta, teria sido insuficiente sem matéria negra, para agregar os aglomerados de galáxias e para formar o universo que conhecemos hoje. É uma questão fundamental e intelectual a ser abordada de forma a compreender as origens do nosso sistema e a evolução do universo.”

No Laboratório Nacional de Gran Sasso, os engenheiros estão a preparar uma esfera de metal, com 4 metros de diâmetro, com 110 dispositivos de deteção de luz, os tubos fotomultiplicadores. Estes dispositivos são capazes de captar a mais pequena emissão de luz e transformá-la num sinal elétrico que pode ser analisado por computador.

Paolo Lombardi, Engenheiro: “Esta é uma fase crucial. Durante estes dias estamos a instalar os tubos fotomultiplicadores, que são sensores óticos, que detetam a luz produzida aqui no cintilador líquido e convertem a luz em sinais elétricos, que podem ser processados ​​pelos nossos sistemas, e mais tarde, também processados pela nossa análise de dados.”

A esfera é montada dentro de um cilindro com 11 metros de largura e 10 metros de altura, que contém mil toneladas de água, para isolar a radiação cósmica. Esta esfera irá conter também uma pequena cápsula com 50 quilos de argónio líquido, um gás raro empobrecido que se encontra no subsolo. Na sua forma líquida, a -180 °C, pode emitir luz e libertar eletrões quando atingido por outras partículas.

Cristiano Galbiati, Físico: “O argónio é a parte mais importante do projeto, porque é o material alvo, o que significa que: oferece duas formas diferentes de detetar radiações ionizantes, quer seja da radioatividade, da radioatividade natural, ou da matéria negra.”

Como o argónio líquido é extremamente reativo a impactos de partículas, se as partículas de matéria negra colidirem com uma ou duas partículas de argónio, que emite luz e liberta eletrões quando atingido, os cientistas esperam registar o fenómeno e provar que a matéria negra existe. O projeto é financiado por um painel de instituições Europeias, norte americanas e chinesas e prolonga-se durante três anos.