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França toma medidas para a transparência financeira dos responsáveis políticos


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França toma medidas para a transparência financeira dos responsáveis políticos

“Desminto-o categoricamente: nunca tive contas no estrangeiro. Nem agora, nem antes”

A mentira de Cahuzac põe em cheque a credibilidade do Governo. A onda de choque provocada pelo então ministro do Orçamento obrigou o Executivo francês a tomar medidas.

Entre elas, a moralização da vida política que passa, entre outras coisas, pela publicação do património dos ministros. Cerca de 70% dos franceses aprovam a iniciativa, resta ver que surpresas reserva a iniciativa. Sabe-se que três dos ministros do Gabinete de Hollande pagam o imposto sobre grandes fortunas, e ideologicamente, a esquerda e a riqueza não não são bem vistas juntas.

Já dizia François Mitterrand:

“Não se pode aceitar a deriva contínua para o domínio do dinheiro que, de modo natural, corrompe” Hollande repete:

“É necessária uma luta implacável contra as derivas do dinheiro, a cobiça e as finanças ocultas.”

Jacques Julliard, analista político, explica:

“A esquerda desconfia do dinheiro e das grandes fortunas baseando-se no princípio de que as grandes fortunas não se adquirem por meios honestos, ninguém enriquece a trabalhar. Tem de ser através da especulação, da exploração”

Nos dias que correm, a riqueza dos representantes de todas as cores políticas é menos mal vista, o que não se tolera é a disimulação. E, neste aspeto, a França está bem longe dos vizinhos europeus.

De facto, é o único país dos 27, a par da Eslovénia, que pratica a opacidade total sobre as contas dos representantes políticos. Noutros países há uma transparência parcial, como na Alemanha, na Itália ou na Hungria, ou total, como nos países nordicos. Em Espanha, desde 2011, publicam-se as declarações patrimoniais no lugar do Congresso dos Deputados.

Na Suécia e na Noruega, os rendimentos e a fortuna de todos os cidadãos, políticos incluídos, são públicos e podem consultar-se na internet. A única excepção são os membros da família real.

O sistema da Alemanha é um misto. Os deputados devem publicar na página do Parlamento toda a actividade remunerada alheia ao cargo se os rendimentos forem superiores a mil euros por mês. Mas os ministros não são obrigados a divulgar.

Para os otimistas, o caso Cahuzac serviu, pelo menos, para que França se aproxime dos parceiros europeus no âmbito da transparência.

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