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Venezuela entrega mandato difícil nas mãos de Maduro

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Venezuela entrega mandato difícil nas mãos de Maduro

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Uma vitória anunciada, mas mais curta do que previsto marcou as eleições presidenciais na Venezuela. Nicolas Maduro, eleito 57º presidente da Venezuela, apresentou-se perante os seus apoiantes na frente do palácio Miraflores, seguindo os costumes do mentor Hugo Chávez. Apesar da escassa margem, de 272 mil votos, sobre o candidato da oposição Henrique Capriles, Maduro vangloriou-se pela vitória.

“Capriles, eu disse-te, que se perdesse por um voto, entregar-te-ia o cargo amanhã. Mas não foi assim, eu ganhei por quase 300 mil votos. É a decisão do povo”, afirmou Maduro.

Os apoiantes de Capriles não ficaram convencidos e questionam a legitimidade da eleição de Maduro. Milhares saíram às ruas contestar os resultados, exibindo cartazes com a palavra fraude. Os protestos resultaram em oito mortos e cerca de 60 feridos. A vantagem de 1,6%, de Maduro sobre Capriles, é a mais curta em meio século.

O candidato da oposição ganha terreno político e insiste na recontagem dos votos, sem, no entanto, radicalizar o discurso. “Nós acreditamos ter vencido as eleições, o outro candidato também acha que ganhou. Está no seu direito, como cada um tem o direito de contar os seus votos”, evocou Capriles.

O governo de Nicolas Maduro parte fragilizado: os venezuelanos já não estão convencidos com a continuidade do chavismo no poder e o novo presidente não poderá contar, na mesma medida, com o maná do petróleo, que permitiu a Chávez financiar os seus programas sociais. Além disso, Nicolás Maduro, ex-vice-presidente e chefe de estado interino desde 5 de março, já tem um balanço negativo.

“Nos últimos cem dias, a moeda da Venezuela foi desvalorizada duas vezes, em cerca de 80%. Atravessámos um período de carência dos recursos básicos e aumento da taxa de inflação, na ordem dos 30% ao ano. A produção de petróleo na Venezuela, que é um dos cinco maiores produtores mundiais, também está em pleno declínio”, explicou o analista político Jorge Castro.

Como se não bastasse a crise económica, os venezuelanos também exigem de Maduro soluções para problema da insegurança no país. A Venezuela é um dos países mais perigosos do mundo: os assaltos à mão armada e sequestros, já recorrentes nas principais cidades, estão a aumentar.