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Murais que contam histórias

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Murais que contam histórias

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As paredes do Lyon contam histórias, transportam-nos através do tempo e do espaço, com contos e mitos ilustrados.

No que toca a murais, a cidade francesa é a líder mundial e amplamente reconhecida. Devido à urbanização implacável, a procura de murais está a crescer em todo o mundo. Aumenta a procura de imagens e também de pintores qualificados.

Em conjunto com a estabelecida escola de arte Emile Cohl, a Cité Création abriu a primeira escola de pintura de murais do mundo, a EcholCité.

1 54” Gilbert Coudene, fundador da EcohlCité: “Nós não somos artistas somos artesãos pintores de murais, é muito importante. Significa que estamos a servir um projeto, um lugar, a servir as pessoas. Não fazemos o que realmente queremos fazer, fazemos o que o local ou as pessoas precisam ou querem que façamos.”

“As paredes são a pele dos habitantes. Existe a primeira pele que o define, mas o que depois o define são as paredes da casa onde vive. Quando as pessoas se sentem confortáveis na sua pele, nas suas paredes, até as protegem, mas quando é o inverso, quando se tem vergonha de dizer onde se mora, quando se está estigmatizado por ter de dizer o endereço, nesse momento, o lugar onde vive, a sua segunda pele, envergonha-o”.

Durante os três anos de curso, os alunos estudam noções básicas de desenho, paisagens urbanas, logística local e de segurança. Aprendem a ter uma ideia e a transformá-la num mural monumental.

Originalmente pintado em 1987, terminou o trabalho de renovação do gigantesco mural Lionês – Le Mur des Canuts.

Andrea Bolitho, euronews: “Este é um dos maiores murais do mundo, com cerca de 1200 metros quadrados. Oito pessoas trabalharam nesta terceira versão durante três meses. E como é pintar uma imagem tão grande?”

Joelle Bonhomme: “Na verdade, acho que a coisa mais difícil é trabalhar no inverno numa fachada que dá para norte, sem sol. Além disso, não se pode ter vertigens, deve-se estar à vontade nas alturas, mas quando se faz um trabalho como este é quase natural subir e andar nos andaimes “.

“Quisemos atualizar o mural, assim como a cidade mudou em torno dele.”

Um exemplo desta evolução é a família Carbonare, que apareceu, de uma forma ou de outra, nas três versões deste mural.

Pai: “No primeiro mural eu estava sozinho com uma bicicleta nas minhas costas e em 1996 tivemos a nossa filha, que agora tem 16 anos, e ela foi integrada no mural. Mas ainda faltava o nosso filho, que entretanto nasceu e tem agora 12 anos, está agora no novo mural.”

Filho: “Eu não estava no outro mural, estavam apenas os meus pais e a minha irmã, quando era pequena. Vi toda minha família menos eu e senti-me um pouco estranho.”

Filha: “Crescemos, percorremos um longo caminho, e agora estou com os meus livros da faculdade.”

Mãe: “Hoje somos uma família com dois filhos adolescentes e é muito bom ver esta evolução”.