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Testar um detetor de mentiras

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Testar um detetor de mentiras

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Muitas vezes perguntamo-nos se nos dizem a verdade ou se estamos a ser enganados. Mas, em algumas situações, saber a diferença entre a verdade e a mentira é muito importante, como nas investigações policiais. Métodos como a análise do corpo e a psicologia têm sido experimentados com vários níveis de sucesso, mas nenhum é infalível. Um dos mais conhecidos é o famoso polígrafo.

Youri Schillinger, examinador, investigador e técnico do polígrafo: “Interrogamos pessoas em processos judiciais, o nosso trabalho é identificar as pessoas verdadeiras e confundir os mentirosos. No passado os polígrafos usavam agulhas de tinta e papel, mas agora estão informatizados”.

Durante o teste, a pessoa senta-se numa cadeira especial e vários sensores no corpo vão medir a respiração tanto no abdómen como no tórax. E duas pequenas placas prateadas medem a produção de suor nos dedos da pessoa. Outro sensor mede a percentagem de oxigenação no sangue. E, finalmente, um outro sensor mede a pressão sanguínea e o ritmo cardíaco durante todo o teste.

Youri Schillinger: “Quando alguém diz uma mentira, coloca-se numa situação perigosa. É por isso que a adrenalina é libertada no sangue. A adrenalina é um estimulante natural e quando é libertada, o coração vai bater mais rápido e há também mais sangue a fluir no corpo. O sangue transporta oxigénio, que é o que os nossos músculos queimam, por isso cria muita atividade dentro do corpo.”

A adrenalina não é produzida apenas quando alguém mente, mas também quando as pessoas estão sob stress. Para ajudar na descontração o interrogador conversa durante algum tempo, para deixar a pessoa à vontade. Diminuir o stress aumenta a fiabilidade do teste. Um ator submeteu-se ao ensaio.

Amiga do ator: “Para o François mentir é uma segunda natureza. Conheço-o muito bem e sei que ele pode fazer alguém acreditar em qualquer coisa. Então, se alguém pode enganar um detetor de mentiras, é ele.”

Este é o desafio: François tem de tirar um cartão numerado completamente ao acaso e responder “não”, independentemente do que o examinador lhe perguntar. O examinador vai ver se o polígrafo consegue detetar a resposta falsa. Quando o examinador pergunta sobre o cartão número 5, o polígrafo mostra uma curva diferente: deteta com sucesso a mentira. François tinha de fato tirado o cartão número 5.

Os especialistas estimam que o teste tem um nível de confiança de 94%, por isso é que na maioria dos países da UE, os resultados do polígrafo não são meios de prova admissíveis em tribunal. Então, parece ainda não haver maneira de saber com certeza se alguém está a mentir ou não.