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Fatiga com austeridade mina confiança na UE

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Fatiga com austeridade mina confiança na UE

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A confiança do público na União Europeia caiu para níveis historicamente baixos nos seis maiores países da UE, de acordo com dados do Eurobarómetro, departamento de sondagens da UE.

O estudo citado, esta quinta-feira, pelo jornal britânico Guardian, foi realizado na Alemanha, França, Espanha, Itália, Reino Unido e Polónia. O mais eurocético é a Espanha, onde 72% dos entrevistados dizem não confiar nas instituições europeias.

O presidente da Comissão Europeia admitiu que a austeridade pode ter chegado ao limite, mas recorda as causas da crise.

“É claro que estamos preocupados com a situação social existente e que representa um risco de polarização. Mas temos de ser claros e honestos: não foi a Europa que criou esta crise. A crise deve-se, por um lado, aos mercados financeiros e, por outro, ao comportamento irresponsável a nível nacional com níveis de dívida insustentável”, disse José Manuel Barroso.

Declarações feitas à euronews após um debate, em Bruxelas, sobre o aumento do euroceticismo. O economista checo Tomáš Sedláček foi um dos oradores que reiterou que sem a intervenção de Bruxelas e a ajuda dos países mais ricos, os estados-membros em crise ainda estariam numa situação mais difícil.

“Se não tivéssemos a União Europeia, a austeridade seria necessária de qualquer maneira e alguns países estariam também em risco de falência. Essas falências seriam muito piores porque provavelmente os outros países não estariam tão disponíveis para ajudar como fizeram agora. É porque existe esta união de países que se entreajudam que os cidadãos não perdem as suas poupanças de forma direta”, explicou.

Mas para outros analistas, se a austeridade foi um remédio ao início, agora está a matar a economia. O alto desemprego e a recessão, sobretudo nos países sob resgate, são os sinais mais evidentes.

Karl Aiginger, do Instituto Austríaco de Investigação Económica, considera que os incentivos ao crescimento são fundamentais.

“Não se deve focar a atenção apenas no equilíbrio do orçamento, mas também cortar nas despesas desnecessárias e aumentar aquelas que são importantes em termos de preparar o futuro, de aumentar o crescimento e a competitividade. Também se deve agir ao nível fiscal, de modo a reduzir os impostos que causam destruição de postos de trabalho – por exemplo, os impostos sobre o trabalho – e aumentar aqueles que não prejudicam o crescimento, como os impostos sobre a propriedade”, afirmou.

Para este ano, a Comissão Europeia prevê um crescimento ligeiro de 0,1% na zona euro e 0,4% no conjunto da União.