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Itália: governo toma posse após dois meses e dois dias de impasse político

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Itália: governo toma posse após dois meses e dois dias de impasse político

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O “único governo possível em Itália”, tomou posse esta manhã em Roma. Um executivo de união nacional que reúne pela primeira vez em duas décadas o centro-esquerda do primeiro-ministro Enrico Letta, e o centro-direita do vice-primeiro-ministro Angelino Alfano, um braço direito de Berlusconi.

Um exercício de consenso difícil, dois meses e dois dias após as eleições de fevereiro terem criado um profundo impasse político no país.

A equipa de 21 ministros é a mais feminina de sempre, com sete mulheres, à cabeça das pastas da Justiça (Anna Maria Cancelieri) ou dos Negócios Estrangeiros (Ema Bonino, antiga comissária europeia). Uma equipa para recuperar a credibilidade da classe política, sem figuras da chamada “velha guarda” e com uma média de idades de 53 anos, 10 anos abaixo do anterior executivo.

A pasta da economia foi entregue a um tecnocrata, Fabrizzio Sachomani, antigo governador do Banco de Itália e pela primeira vez uma africana, Cecile Kyenge, entra no executivo para ocupar a pasta da integração.

Um executivo que tem por objetivo recuperar a credibilidade da classe política, com vários tecnocratas em pastas-chave para conter novas discórdias e um programa técnico elaborado por uma comissão de sábios que tem três pontos principais: recuperar a economia, reformar a lei eleitoral e a constituição para evitar o atual bloqueio de poder com o parlamento controlado pela esquerda e o senado controlado pela direita.

O novo primeiro-ministro Enrico Letta é também o número dois do Partido Democrático, tendo herdado do líder demissionário da formação, Pier Luigi Bersani, a tarefa de liderar este executivo de união nacional. É o primeiro-ministro mais jovem de Itália desde a segunda guerra mundial, com 46 anos. Antigo ministro dos Assuntos Europeus, Letta é visto como um homem de consensos, é igualmente sobrinho de Gianni Letta, um político próximo de Silvio Berlusconi. Pró-europeu Letta deverá negociar com Bruxelas a ajuda europeia ao país, tendo que encontrar um consenso com o centro-direita que exige a abolição de um imposto imobiliário assim como o reembolso dos impostos excecionais criados em 2012.

Angelino Alfano, vice primeiro-ministro e ministro do Interior é o líder do Partido do Povo da Liberdade de Silvio Berlusconi e é considerado um homem de confiança do antigo primeiro-ministro. Alfano foi o ministro da justiça que em 2008 propôs uma lei, à medida dos processos enfrentados por Berlusconi, que garantia a imunidade judicial aos mais altos cargos no poder.

Todas as tendências políticas estão representadas, menos o movimento 5 estrelas de Beppe Grillo, ou a radical Liga Norte de Roberto Maroni, que optaram por ficar na oposição.

O novo executivo reuniu-se, pela primeira vez, em Conselho de Ministros, ao início da tarde, antes de ser submetido ao voto de confiança do parlamento e do senado, nos próximos dois dias.