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Um polémico campo de golfe com vista sobre Dubrovnik

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Um polémico campo de golfe com vista sobre Dubrovnik

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A Croácia está em vésperas de se tornar membro da União Europeia. Mas a recessão tem dominado o país, há cada vez mais desemprego. O governo quer impulsionar a economia através de investimentos no setor do turismo. No entanto, o maior dos projetos está a levantar muita controvérsia.

O topo do monte de São Sérgio, ao lado da cidade croata de Dubrovnik, é uma área muito apetecida pelos investidores imobiliários. É precisamente aqui que está prevista a construção de um dos maiores campos de golfe do mundo. Luko Paskojevic foi um dos habitantes locais que teve sorte. O dinheiro chegou depois de décadas a trabalhar como pastor. Quando a guerra terminou, a sua aldeia, nas imediações, estava reduzida a cinzas. Luko comprou um rebanho, tentou reproduzir o modo de vida dos seus antepassados. Mas depois vieram os investidores com um objetivo muito definido: comprar o máximo de terra possível.

O projeto é ambicioso. Aliás, é o maior do género na Croácia, neste momento. Lagos artificiais, um circuito de 18 buracos desenhado pelo célebre jogador australiano Greg Norman… Ao todo, mais de mil milhões de euros. Cem milhões já foram gastos pelos investidores na compra de terras.

No entanto, o entusiasmo no sopé do monte, em Dubrovnik, não é dos maiores. Muitos estão contra a criação de um resort exclusivo destinado a jogadores privilegiados – argumentam com a defesa da identidade de uma cidade cujo centro histórico é Património Mundial da Unesco. E depois existe toda a controvérsia em torno de alegados subornos a políticos, para mudarem os planos de ordenamento. A batalha dura há quase uma década e assenta, sobretudo, na dualidade entre interesses públicos e privados. Os mais críticos apontam o dedo ao presidente da Câmara e ao seu irmão, dono de uma empresa de construção civil. O grupo de investimento do projeto é impulsionado por Aaron Frenkel, um controverso empresário israelita, casado com uma antiga vice-ministra da Economia da Croácia, Maja Ruth Frenkel.

Dubrovnik já organizou um referendo sobre o projeto. No entanto, não surtiu efeito. Oitenta por cento dos participantes rejeitou o plano. Mas compareceram apenas trinta por cento dos eleitores, aquém dos cinquenta por cento necessários para tornar a consulta vinculativa. Se a autorização avançar durante o outono, como está previsto, a construção pode arrancar daqui a um ano.