Última hora

Última hora

Portugal: Reforma sem penalização só aos 66 anos e dispensa de 30 mil funcionários públicos

Em leitura:

Portugal: Reforma sem penalização só aos 66 anos e dispensa de 30 mil funcionários públicos

Tamanho do texto Aa Aa

Cintos cada vez mais apertados em Portugal.
As novas medidas contenção anunciadas esta sexta-feira por Passos Coelho foram mal recebidas por quem vai sofrer na carteira, e não só, a austeridade.

Uma das principais alterações é feita na idade da reforma: a idade legal, 65 anos, não muda, mas para receber a pensão sem penalizações, os portugueses vão ter que trabalhar até aos 66.
Uma comerciante do Mercado da Ribeira, em Lisboa, Anabela Soares, lembra que “aumentaram (o governo) a idade de reforma, mas quando lá chegarmos não vai haver dinheiro para pagar reformas a ninguém. É à conclusão que chego. Estamos a pagar, mas se pudesse escolher, seria uma das pessoas que não pagaria segurança social porque sei que daqui a alguns anos não vai haver dinheiro para reformas para ninguém.”

Outra das medidas mais polémica é a dispensa de 30 mil funcionários públicos, quer seja através de rescisões amigáveis, quer seja no âmbito do novo Sistema de Requalificação da Administração Pública, que vem substituir a mobilidade especial.
Ao todo, com todas as medidas apresentadas, devem ser poupados, até 2015, 4800 milhões de euros.

Uma outra comerciante da capital, Rosa Cunha, considera que “é necessário poupar mas deviam julgar quem roubou no passado, porque sabem quem são essas pessoas. Os que roubaram continuam aqui e não são afetados pelas medidas. Quem vai ser afetado é a classe média.”

Na apresentação deste novo pacote de austeridade, o primeiro- ministro, Pedro Passos Coelho, lembrou que “o programa de assistência financeira já exige um amplo consenso político e social. Mas este consenso é ainda mais importante quando o que está em causa é a nossa participação no euro e o respeito pelas obrigações.”

Mas nas ruas é esperada mais contestação…e do lado da política, não parece haver grande vontade para consensos. O líder do PS, António José Seguro, considerou as medidas apresentadas pelo primeiro-ministro são «péssimas notícias e um erro” para o país.