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Andreotti, a enguia política

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Andreotti, a enguia política

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“Giulio, o eterno”. Durante meio-século, Giulio Andreotti representa a estabilidade de uma Itália que encadeia as crises políticas.

Sete vezes primeiro ministro, entre 1972 e 1992; seis vezes ministro dos Negócios Estrangeiros, Andreotti participa praticamente em todos os governos do pós-guerra, cerca de 50 anos, nomeadamente nos de arranque da economia italiana.

Andreotti, o cristão-democrata é católico praticante, vai à missa e conferencia com Papas – conheceu quatro, incluindo João Paulo II.

Nomeado “senador para a vida”, em 1991, pelo presidente Francesco Cossiga, Andreotti é um sobredotado para arte da sobrevivência, do compromisso e mesmo da conspiraçãode bastidores, segundo os críticos.
Deixa a cena política em 1992, na sequência da derrota da democracia cristã, provocada pela implosão do sistema político italiano no início dos anos 90.

Em 1993, a reputação de juristanascido em Roma, em 1919, é afectada pelasalegadas ligações à Mafia. Andreotti é acusado de conluio com os “capo mafiosi”, em troca de votos,pelos arrependidos da Cosa Nostra siciliana.

Andreotti nega:

Defende-se afirmando que o facto dedois dos arrependidos dizerem que o viram encoontrar-se com mafiosos e mesmo a dar um beijo a Salvatore Riina, não é boato… é “pura invenção”.

Ao mesmo tempo, o antigo primeiro-ministro tem de responder à acusação de ter ordenado o assassínio do jornalista Mino Peccoreli, em 1979.

Condenado a uma pena de 24 anos de prisão pelo tribunal de Perugia, Andreotti acaba por ser ilibado no Supremo Tribunal em 2003. Os crimes de 1980 prescreveram.