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França-Alemanha: Um casamento atribulado

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França-Alemanha: Um casamento atribulado

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França e Alemanha tentam ultrapassar as divergências numa altura em que encarnam o debate entre austeridade e crescimento na Europa.

No 25° aniversário das reuniões entre ministros da Economia e Finanças dos dois países, Berlim e Paris tentaram alinhar posições, após meses de oposição sobre o caminho a seguir para superar a crise na Europa. Se Paris defende uma política a favor do crescimento, a Alemanha teima na necessidade da consolidação orçamental.

Com a Alemanha a ser acusada de intransigência, o ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, afirma: “Não somos tudo na Europa, mas sem uma estreita colaboração da França e da Alemanha, nada funciona na Europa. Esse foi o início da unificação da Europa e é um pré-requisito para que continue com sucesso. Se em algumas áreas temos opiniões diferentes, podemos apreender e aproveitar juntos”.

Num passo de aproximação do casal europeu, Wolfgang Schaeuble suavizou o tom sobre a união bancária, considerando-a agora uma prioridade.

Uma mudança saudada por Paris, que voltou a pedir flexibilidade, para que a austeridade se adapte ao contexto económico.

Pierre Moscovici, ministro francês das Finanças, garantiu: “É verdade, a França é um país que pensa que, atualmente, não precisa de austeridade. Mas é um país sério que leva a cabo uma política credível. Não renunciamos à nossa responsabilidade. É uma promessa que faço aqui em Berlim e que será respeitada”.

As diferenças entre França e Alemanha são também económicas.

A economia alemã, a maior da zona euro, tem um desemprego a rondar os 5%, continua a crescer graças às exportações, e tem um excedente orçamental.

Já Paris é considera uma ameaça. A segunda economia europeia não cresce, a dívida pública sobe e a taxa de desemprego atinge 11%. Após uma degradação das previsões económicas, Bruxelas deu mais tempo ao governo francês para baixar o défice para os 3% do PIB.