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Mundial 2014: Atrasos e maus investimentos desmotivam os brasileiros

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Mundial 2014: Atrasos e maus investimentos desmotivam os brasileiros

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O Brasil entrou em contagem decrescente para a Taça das Confederações a 15 de Junho, que antecede o Mundial do próximo ano. O estádio do Maracanã no Rio de Janeiro, palco da final dos dois eventos, recebeu um jogo teste no dia 27 de abril e será inaugurado a 2 de Junho. Zico, o melhor marcador da história do Maracanã, espera que a seleção vingue a derrota caseira do mundial de 1950.

“O meu pai esteve no Maracanã a assistir à final frente ao Uruguai em 50 e contou-me que foi a maior tristeza da vida dele ver um estádio com quase 200 mil pessoas a chorarem por causa de uma derrota como aquela. O Brasil inteiro acreditava no triunfo, foi o dia mais triste da vida dele”, relembrou Zico em entrevista à euronews.

Sessenta e quatro anos depois, o Brasil vai ter uma nova oportunidade de levantar a Taça do Mundo no histórico Maracanã. Neymar é a esperança de todos os brasileiros para a conquista do tão desejado título, mas o jovem jogador do Santos afirmou que não sente a pressão.

“Para mim é um sonho, todos os países querem vencer um mundial. Para nós, ainda é mais importante por ser no nosso país, sentimos uma grande responsabilidade, a pressão é ainda maior, mas estamos preparados para tudo”, afirmou em entrevista à Euronews,.

Com Felipe Scolari no comando da seleção e estrelas como Neymar, Thiago Silva e Lucas, os brasileiros acreditam que a seleção vai vencer o hexacampeonato, mas até chegar à tão desejada final aqui no Maracanã, o Brasil ainda tem muitas metas e promessas para cumprir.

ATRASOS PREOCUPAM

A primeira meta é conseguir entregar os estádios completos antes do início da Taça das Confederações. Nenhum dos seis estádios escolhidos para a realização do torneio foi concluído dentro do prazo. A data de entrega do Maracanã à FIFA foi adiada três vezes e o segundo jogo teste – previsto para 15 de maio – já foi cancelado. Ainda não é certo que o palco da final seja entregue na última data prevista, a 24 de maio.

Os estádios também vão sofrer modificações nos bancos de suplentes que não respeitam os padrões da FIFA. O estádio de Belo Horizonte enfrenta um processo por conta dos problemas de acesso e pode ser interditado. O palco da abertura em Brasília ainda não está pronto e a FIFA pensou em arrancar com cinco estádios.

“O problema é que a previsão inicial apontava para a entrega desses estádios em dezembro, isso não aconteceu e afetou o nosso planeamento na medida em que vários eventos teste poderiam ter sido feitos com maior antecedência. Agora estamos a testar os estádios muito em cima do início da Taça das Confederações”, afirmou em entrevista à Euronews o secretário executivo do Ministério do Desporto, Luis Fernandes.

Já Ricardo Trade, diretor executivo do Comité Organizador Local do Mundial, alertou que não há plano B para o atraso dos estádios. “Para a copa das confederações a decisão foi de manter os 6, anteriormente havia a possibilidade de fazer com cinco estádios ou até com 4. Mas em outubro decidimos fazer com 6, não há mais volta a dar, não há nenhum plano B.”

DISTRIBUIÇÃO DAS CIDADES

Para além das polémicas com os atrasos, a organização do Mundial enfrenta outra dor de cabeça: a distribuição geográfica dos estádios. Países como Estados Unidos, África do Sul e França organizaram um mundial com 9 e 10 estádios, mas o Brasil insiste em ter 12. A necessidade de alguns deles não é consensual.

“Em 12 sedes porque nós somos um país continental, não somos somente Rio de Janeiro e São Paulo. Vamos mostrar o Pantanal, Manaus, que são cidades sensacionais, cidades em extinção no mundo”, afirmou Ricardo Trade.

Já o ex-jogador, Zico, não concorda com escolha das cidades-sede: “Há diversas cidades que não participam do futebol brasileiro nem têm clubes de futebol de grande expressão.”

Uma opinião que conta com o apoio do ex-campeão do mundo pelo Brasil em 1994 e atual deputado federal pelo Rio de Janeiro, Romário. “Brasília, Mato Grosso, Manaus, Natal serão estádios que infelizmente vão custar 1 bilião de reais (400 milhões de euros), para depois do mundial não receberem qualquer evento de futebol frequente”, afirmou à Euronews.

O sonho da grande final da seleção canarinha no Maracanã está cada vez mais distante da população. O desgaste dos brasileiros em relação ao tema mundial é evidente e o entusiasmo não é, para já, o esperado.

“O povo brasileiro não tem participado, está muito pessimista em relação a tudo e eu não vejo que isso possa mudar dentro de um ano, a não ser que a seleção volte a jogar bem e volte a conquistar vitórias”, concluiu Zico.