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Os filhos de Zaatari

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Os filhos de Zaatari

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Chegamos a Zaatari, no norte da Jordânia, a uma dezena de quilómetros da fronteira síria. No meio de um quase deserto, erguem-se as tendas do campo de refugiados.

O antigo descampado serve de casa a cerca de 120 mil sírios que fugiram do conflito no outro lado da raia. Zaatari é hoje a quarta maior cidade da Jordânia e a população não pára de crescer.

Entre 3000 a 5000 mulheres estão grávidas. A ONG Ginecologia Sem Fronteiras (GSF) acompanha oito a 10 partos por dia. Um dos voluntários da GSF explica que veio para aqui trabalhar, atraído pela “verdadeira medicina”, particularmente por se tratar de “um contexto de guerra”, algo com que normalmente as pessoas não têm de lidar. Afirma estar a viver “uma extraordinária experiência do ponto de vista humano, mas também profissional” e que apesar das “restrições orçamentais”, todos fazem “o máximo com um mínimo de recursos”.

Rasha chegou há pouco mais de um mês. Deu à luz o terceiro filho esta semana. Só tem elogios para os que a acompanharam no parto:

“A assistência médica aqui é ótima, muito melhor do que na maioria dos hospitais na Síria. Os médicos tratam-nos bem. As parteiras são perfeitas. Nunca tinha visto um serviço tão bom”, confessa. “Espero sinceramente que a situação na Síria melhore e que possa regressar mas o meu medo é que as coisas continuem a ser demasiado difíceis para todos nós, independentemente de ficarmos aqui ou de regressarmos a casa”.