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Processo contra neonazis alemães põe serviços secretos em causa

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Processo contra neonazis alemães põe serviços secretos em causa

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É visto como um dos maiores processos contra os nazis alemães do pós-guerra, e sem dúvida, o mais mediatizado desde o da RAF em 1977.
Fica por saber se consegue responder às principais perguntas da opinião pública desde que o caso foi conhecido: como é que o trio inferanal conseguiu operar em toda a liberdade durante tanto tempo?

Este processo será, principalmente, o da alegada “noiva nazi”, única sobrevivente da célula terrorista neonazi NSU, de que fazia parte tal como os outros dois neonazis mortos num incêndio. O Ministério Público conseguiu provar que ela manteve relações com ambos. Juntos, desde a década dos 90, depois de serem detetados pelos serviços secretos de informação passaram à clandestinidade em 98.

O primeiro crime, de uma longa série, data de 2000, em Nuremberga. O alvo principal era a comunidade turca da Alemanha. Nuremberga, Hamburgo, Munique, Colónia, Dortmund e Kassel. As mortes dos pequenos comerciantes eram, habitualmente encenadas com assaltos, que ajudavam a financiar a organização.

Dois atentados bombistas em Colónia, o primeiro em 2001 provocou 10 feridos, o segundo, num bairro turco, em 2004, causou 22, também não colocaram a polícia na pista dos crimes racistas.

Traumatizada pelo 11 de setembro, provocado pela famosa célula de Hamburgo, a Alemanha estava direcionada para o terrorismo islâmico e era essa a pista privilegiada, colocando-se mesmo a hipóteses de um ajuste de contas da máfia turca.

Mas o pior de tudo é que os serviços de segurança alemães são suspeitos de conivência.

Os dossiês terão sido destruídos e, com eles, as provas da ligação entre os agentes federais e os dois cúmplices de Beate Zschape. Não é um caso inédito, pois os serviços terão remunerado membros do NPD, o partido neonazi, em troca de informações.

A Alemanha começa agora a aperceber-se da enormidade do fenómeno. O grupo a que pertencia o trio, NSU, de Iéna, na ex-RDA, é muito mais importante do que parece e era apoiado pelo NPD, até então legal.

Janine Patz, especialista da ex-RDA contra a extrema-direita:

“Temos de dizer adeus à ideia de que o grupo tinha apenas três ou quatro pessoas.
É uma grande organização a NSU, a partir da qual todas as outras, de direita, se formaram. Até as organizações que existem hoje, mesmo ao nível de partidos, vieram dessa organização. “

Longe da extinção, neste país com um passado tão doloroso, a xenofobia está bem enraizada. Segundo um estudo recente, 15,8% de alemães de leste defendem ideias de extrema-direita – 7% a oeste. Em 2011 o número de neonazis foi calculado em 23400, 10 000 considerados perigosos.