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Venezuela envia militares em auxílio da polícia para combater a corrupção

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Venezuela envia militares em auxílio da polícia para combater a corrupção

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O Governo da Venezuela destacou o exército para lutar contra a criminalidade, o principal problema do país segundo Nicolás Maduro, o presidente eleito à justa, há um mês. Três mil soldados vão vigiar as ruas de Caracas no âmbito do “plano pátria segura”. Só no bairro de Petare há mais de mil efetivos de todas as forças de segurança, como explica o chefe do dispositivo, general Antonio Benavides:

A polícia nacional bolivariana juntou-se à polícia militar, no sentido de proteger os cidadãos, de lhes dar segurança na cidade e em todo o Estado de Miranda”.

Por estranha coincidência, Miranda é o Estado mais forte da oposição de Capriles ao chavismo de Maduro.

A oposição contesta a decisão de militarizar a luta contra a criminalidade, por considerar que não vai solucionar o problema porque não cabe ao exército, mas à polícia e à justiça, combater essa que faz da Venezuela o quinto país mais perigoso do mundo, segundo a ONU.

Em 2012, o Governo reconheceu 16.072 homicídios e uma taxa de 55,2% por 100 mil habitantes.
O Observatório da Violência eleva para 21.692 o número de homicídios por cada 73 mil habitantes.

Mas o governo debate-se com vários problemas, nomeadamente a falta de produtos básicos, como o papel higiénico. Na quarta-feira, muitos venezuelanos acorreram aos supermercados para se abastecerem, como foi o caso de Cristina Ramos:

“Passei duas semanas à procura e acabei por perguntar aos soldados na rua. Foram eles que me indicaram este sítio e eu vim para a fila de espera”.

O governo nega problemas e acusa a oposição de levar a cabo uma campanha para alarmar os venezuelanos com objetivo de destabilizar o país. Mas o facto é que o ministro de Comércio, Alexandro Fleming, anunciou importações de urgência de papel higiênico:

“A revolução vai trazer, nos próximos dias, 50 milhões de rolos de papel higiénico. Desta sexta-feira a quarta da semana que vem, vamos ter um carregamento de 20 milhões de rolos, o que cobre as necessidades de uma semana ou mesmo mais.”
Estranho país este que diz que a revolução em marcha está a tratar do fornecimento do papel higiénico do povo e do fornecimento de produtos essenciais no século XXI com os poços de petróleo a jorrar.