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Antigo ditador guatemalteco é culpado de genocídio, mas julgamento foi anulado

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Antigo ditador guatemalteco é culpado de genocídio, mas julgamento foi anulado

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A condenação por genocídio e crimes de guerra do ex-ditador Rios Montt foi anulada pelo Tribunal Constitucional da Guatemala.
O Tribunal reconheceu vícios de forma
ao longo do processo de Rios Montt, apoiado pelos advogados, que recusaram dois dos três magistrados que o condenaram a 80 anos de prisão.

A decisão do Tribunal Constitucional significa que é preciso repetir todas as ações judiciais desde o dia da sentença, 10 de abril, até ao dia 19 de abril.

Giovanni Salguero, juiz do Tribunal Constitucional da Guatemala: “(…) a partir de 19 de abril de 2013 o processo penal fica anulado.”

Na verdade, o ditador guatemalteco de 86 anos foi julgado responsável pelo massacre de 1.771 índios da etnia Maia Ixil quando estava no poder, entre 1982 e 1983. A sentença foi histórica, pois nenhum chefe de Estado do mundo foi condenado por genocídio num tribunal nacional.

Yasmin Bairros, juíza:

“O tribunal… por unanimidade declara: que o arguido José Efraín Rios Montt é responsável como autor do crime de genocídio, e é responsável como autor de crimes contra a humanidade e contra a vida e integridade dos civis das aldeias e casarios localizados em Santa María Nabaj, San Juan Cotzal e San Gaspar Chajul.”

Quando em março de 1982, o general Rios Montt tomou o poder de assalto na Guatemala, o país estava imerso numa guerra civil, desde 1960. Militar da linha dura, pastor de uma congregação evangélica fundamentalista e líder incontestável dos grupos da direita.

Foi ele que deu ordem ao exército para aplicar a política da terra queimada contra os indígenas maias, suspeitos de apoiarem as guerrilhas de esquerda em plena guerra fria.