Última hora

Última hora

Presidência francesa do FMI: socialistas e conservadores revezam-se em casos complicados

Em leitura:

Presidência francesa do FMI: socialistas e conservadores revezam-se em casos complicados

Tamanho do texto Aa Aa

Já são dois, os franceses à frente do FMI. investigados pela justiça. Primeiro foi Dominique Strauss-Khan que, enquanto era presidente do FMI se envolveu num escândalo sexual.
Quanto a Christine Lagarde, o caso era falado e primeira página nos jornais em França, quando foi nomeada presidente do FMI. Na altura, limpou-se a imagem como se pode, por ser mais importante assegurar a presidência francesa neste organismo internacional.

Por agora, Lagarde conta com a confiança da instituição e das autoridades francesas. O escândalo que tanta tinta fez correr, ocorreu quando ela era ministra, a partir de 2007, e, por mais voltas que se dê, é um caso de desvio de dinheiros públicos passível de pena de prisão.

Decorria o ano de 1993, quando o homem de negócios Bernard Tapie se lançou na política. Entrou no governo Beregovoy e teve de ceder o essencial das empresas, entre elas a Adidas, que tinha comprado dois anos antes Confiou a venda ao seu banco, o Crédit Lyonnais. Quando a Adidas se reergueu o banco (que tinha guardado para si algumas partes) realizou uma mais-valia de mais de mil milhões de francos.
Tapie reclamou a sua parte nos lucros e deu início ao litígio e à batalha jurídica.

Entretanto, o Crédit Lyonnais abriu falência e foi adquirido por um organismo público para a liquidação dos bens e assuntos pendentes.

Passaram mais 10 anos em que os procedimentos judiciais pouco ou nada avançaram.

Foram designados três árbitros. Em julho de 2008 eles deram razão a Tapie e atribuíram-lhe uma indemnização de 285 milhões de euros, 45 dos quais por prejuízo moral.

A questão é que esta quantia incrível foi paga com o dinheiro dos contribuintes. Ora, se era para pagar com fundos públicos porque foi escolhida uma comissão de arbitragem privada?

Os árbitros eram alegadamente próximos de Tapie e Lagarde sabia.
Ela não exerceu o direito de recurso contra esta controversa arbitragem, tendo o direito de o fazer.

Mas não exerceu o recurso antes de aceitar o cargo no FMI, e era um caso de primeira página.
A falta parece estar a incomodar agora os críticos da presidente do FMI.

Trazer de novo à luz do dia o caso de Lagarde pode ser uma tentativa para fazer esquecer o escândalo do ministro socialista do Orçamento, Cahuzac.

A confiança no presidente François Hollande atingiu o nível mais baixo de um chefe de Estado francês nos últimos 40 anos. Com 29% de popularidade, o que representa uma perda de 4 pontos em abril.