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Jornal Le Monde revela utilização de gás venenoso no conflito sírio

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Jornal Le Monde revela utilização de gás venenoso no conflito sírio

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Uma reportagem do jornal francês Le Monde relança o debate sobre a utilização de armas químicas por parte do regime sírio.

Os enviados especiais do períodico à Síria revelam que o exército estaria a recorrer a gás venenoso (provavelmente gás Sarin), em pequenas doses, desde abril, para tentar reconquistar os territórios ocupados pelos rebeldes.

Os repórteres testemunharam vários casos de problemas respiratórios e de cegueira temporária, entre os opositores, após os confrontos com os militares.

O jornalista Laurent Van der Stockt afirma que, “vimos não só o gás como constatámos os seus efeitos sobre os combatentes na linha da frente, neste caso em Jobar, que é o bairro mais próximo do centro de Damasco. No dia 13 de abril, por exemplo, pude testemunhar um destes casos. Encontrei os mesmos combatentes, um dia depois, que me disseram ter sido novamente atacados com gás. Os médicos comprovam igualmente ter recebido pacientes de zonas diferentes e em datas diferentes com os mesmos sintomas. Não podem garantir que tipo de gás se trata, se é Sarin ou não, mas podem constatar que os sintomas são os mesmos do gás Sarin e utilizam por isso os mesmos medicamentos recomendados para tratar intoxicações com gás Sarin”.

As revelações do Le Monde ocorrem num momento em que países como Estados Unidos não descartam uma intervenção caso Bashar Al-Assad utilize armas proibidas.

A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, denunciou esta segunda-feira, em Genebra o que considera ser “o fracasso internacional para parar os horrores da guerra civil na Síria”, face aos relatos de abusos dos dois lados do conflito.

A reportagem do Le Monde coincide com os relatos de um novo ataque químico nas regiões de Qaboun, Harasta e Jobar, no leste de Damasco, na madrugada de segunda-feira.

O porta-voz da oposição síria, Khaled Saleh, confirmou esta manhã em Istambul que: “ ainda ontem à noite recebemos informações de que o exército teria utilizado doses ligeiras de gás Sarin nos arredores de Damasco. Pelo menos cinco pessoas morreram sufocadas e mais de 200 pessoas teriam ficado feridas”.