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Palmarés da Palma d'Ouro

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Palmarés da Palma d'Ouro

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Depois de dissipados os confrontos em Paris entre manifestantes contra o casamento gay e a polícia, este fim de semana no Festival de Cannes venceu um romance lésbico. O filme “La Vie d’Adèle” foi galardoado com a Palma d’Ouro. Para muitos, a notícia da vitória veio validar uma luta pela igualdade, que tem sido dolorosa e por vezes cruel.

Adèle Exarchopoulos: “É uma grande honra, é realmente um prazer este reconhecimento, para um filme feito com o coração…”

Léa Seydoux: “E com muito sexo!…As filmagens foram muito longas duraram quase cinco meses e meio. Filmamos muito, e muitas cenas não chegaram à edição final. Quando vimos filme, não era o que estávamos à espera. Mas ter tido tão boa reação por parte da imprensa e do público, ajudou-nos a gostar dele.”

Noutra nota, “Le Passé”, o drama sobre a separação de Asghar Farhadi celebrou Bérénice Béjo como Melhor Atriz, estava repleta de orgulho por ter feito parte de uma produção tão emocionante.

Bérénice Béjo: “É um filme magnífico, forte e o que mais gosto é da sensação de suspense; o drama desenvolve-se lentamente e só percebemos as coisas muito gradualmente. Este suspense é uma razão importante pela qual o filme funciona tão bem.”

Já o veterano Bruce Dern foi o vencedor inesperado do prémio de Melhor Ator, pelo seu papel como um pai alcoólico no filme a preto e branco “Nebraska”, de Alexander Payne. Dern estava tão certo que seria Michael Douglas a vencer, com a personagem de Liberace em “Behind the Candelabra”, que até já tinha deixado da festa mais cedo.

O galardão de Melhor Realizador foi para Amat Escalante, duplamente animado, por receber o prémio e por ter vindo das mãos de Steven Spielberg.

Amat Escalante: “Enquanto crescia, inspirei-me muito nos filmes do Steven Spielberg. Acho que foi ele que me plantou a semente do cinema.”

Outro vencedor que causou surpresa: o filme “Heli” de Escalante. Um drama com cenas poderosas, numa cidade mexicana empoeirada.

O Melhor Argumento foi atribuído a Jia Zhangke com “A Touch of Sin”, num ataque ultra violento no consumismo chinês: “Creio que o mais importante para os artistas ou cineastas é que não devem fazer uma auto censura, devem ser corajosos para ser criativos e usar a arte ou o cinema, para ultrapassar os limites e a censura.”

O prémio do “Júri” foi para o drama doméstico de Hirokazu Kore-Eda: “Like Father, Like Son”: “Não faço filmes de género, não consigo escolher entre a comédia e o drama. Até um assunto sério precisa de toques de humor, caso contrário é indigesto. Estou feliz porque durante a exibição houve risos. Acho que se o assunto é mais sério, então é preciso que haja partes mais engraçadas.”

Foi assim este ano em Cannes, os prémios e o glamour voltam a desfilar na próxima edição.