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A real moeda virtual

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A real moeda virtual

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No rescaldo do anúncio do governo cipriota, que pretendia confiscar o dinheiro da conta bancária de cada cidadão para resolver a dívida, a confiança nos sistemas bancários tradicionais é baixa. Um passo em frente para o sistema Bitcoin.

Desenvolvido por Satoshi Nakamoto, o Bitcoin é um sistema de dinheiro eletrónico baseado num protocolo de criptografia de código aberto, sem nenhuma autoridade central.

O Bitcoin faz parte de uma mudança tecnológica gradual na nossa maneira de pensar sobre o dinheiro. Em Zurique, dois engenheiros obtiveram lucro com o Bitcoin e estão confiantes no futuro.

Stefan Thomas, Engenheiro: “No sistema Bitcoin, não temos que confiar em qualquer pessoa em particular ou qualquer desenvolvedor particular. Confiamos no código. Pode ver o código por si mesmo, e centenas de desenvolvedores já viram isso e descobriram que funciona. Na minha opinião, esta é uma forma de ainda maior confiança. Não disseram isso? “Confiança é bom, mas o controle é melhor?”

Luzius Meisser, Engenheiro: “Pessoalmente, gosto da ideia do fluxo de pagamentos ser gratuito. É como a liberdade de expressão, é fundamental. Todo a gente pode manter as suas posses, mover esses bens livremente, e ficar isenta da intervenção do Estado.”

A inflação é tecnicamente impossível, porque as Bitcoins, ao contrário do dinheiro convencional, são limitadas a um número finito de moedas, fixado nos 21 milhões. As transações são anónimas, sem regulador e sem prestação de contas.

Nakamoto também desenvolveu um software que permite que as pessoas possam ser o que apelida de “mineiros “ e adquirir as suas próprias Bitcoins, em troca de oferecerem a energia dos seus computadores, se estes forem fortes o suficiente para resolver cálculos complexos; cálculos que se tornam progressivamente mais difíceis ao longo do tempo.

Como o Bitcoin está a reforçar a sua reputação como uma moeda online legítima, os utilizadores podem comprar praticamente qualquer coisa, desde pizzas a automóveis.

Uma queda no mês passado, na qual perdeu 80% de seu valor num dia, não amorteceu a reputação do Bitcoin. Afinal, uma falha significa que é como as outras respeitáveis moedas.

Descrito por alguns como o “Harlem Shake da moeda” e o “novo ouro digital”, o Bitcoin representa claramente uma espécie de desafio à banca centralizada e aos guardiões da moeda fiduciária.

Mas a promessa da liberdade não deixa de provocar algum desconforto:

Sergio Rossi, Professor de Economia Monetária, Universidade de Friburgo: “Nós não sabemos de onde vem o poder de compra da moeda ou quem está por trás dela. Não há nenhum banco, nenhuma autoridade monetária, e por isso é um problema, porque toda a estabilidade do sistema económico poderia ser prejudicada.”

O outro lado do Bitcoin é que o anonimato ajuda a alimentar a economia paralela, como traficantes ou qualquer outra pessoa interessada em comprar sem ser rastreada.

Nalguns sites como o “Silk Road”, o “amazon.com” da ilegalidade, o sistema pode comprar uma arma, um quilo de heroína, ou uma nova identidade, como as autoridades fazem questão de reforçar. Mas a ideia de uma moeda que não pode estar debaixo da ordem política é a preocupação mais imediata.