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Observatório Europeu de Drogas: consumo de drogas tradicionais diminui; o de drogas sintéticas aumenta

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Observatório Europeu de Drogas: consumo de drogas tradicionais diminui; o de drogas sintéticas aumenta

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Num só ano, foram registadas 70 novas drogas sintéticas e desconhecidas, elaboradas por engenheiros químicos brilhantes. Esta é a conclusão do Observatório Europeu de Drogas e Toxicomanias (EMCDDA – agência contra a droga da União Europeia) que apresentou o relatório de 2013 em Lisboa.

Tiago Braga Marques, enviado especial da euronews a Lisboa, fala deste problema de saúde pública, que não deve passar para segundo plano durante a crise económica:

- O relatório deste ano conclui que há evoluções positivas, em termos de consumo de drogas, na Europa, nomeadamente na redução do consumo de heroína e droga injetada. Há também uma diminuição no consumo de cocaína.

Uma das tendências generalizadas é, efetivamente, a estabilização e até diminuição do consumo das drogas tradicionais e, uma das mudanças positivas, é o número de tratamentos dispensados, ou seja, quase milhão e meio de utentes habituais.

A crise económica em Europa faz temer uma diminuição dos orçamentos destinados à luta contra a droga, mesmo os riscos derivados do consumo sejam importants e fiquem mais caros ainda.

A hepatite C é a doença mais disseminada entre os toxicodependentes, de 18 a 80% segundo os países.
Entre os utentes problemáticos, a taxa de mortalidade é de 1 a 2% por ano, ou seja, 10 a 20% mais do que a dos não consumidores.

O consumo de cannabis, cocaína e heroína parece estar a recuar, ao contrário dos estimulantes sintéticos, que têm cada vez mais procura.

O extasy e as anfetaminas são as drogas mais consumidas na Europa. Durante o ano de 2012, dois milhões de europeus consumiram tanto uma droga como a outra. Mas o que mais preocupa mais o observatório é o aparecimento de novas drogas, um mercado muito dinâmico onde abundam substâncias muito diversas.

Das 73 substâncias registadas pela primeira vez, 30 são derivados do cannabis sintético e 19 são à base de produtos químicos desconhecidos.

Para o investigador, Laurent Laniel, a principal dificuldade relativa às novas drogas é que não se perceber nada do seu conteúdo:

“São drogas que apareceram muito recentemente e sobre as que não há nenhuma ma visibilidade médica. Os produtores são muito hábeis com a química, encontram novas substâncias e vendem-nas, e assim não figuram em nenhuma lista, vendem-se como outros produtos. Por isso é muito difícil obter informação: em primeiro lugar, há que detetar o fenómeno, e em segundo, há que compreender do que se fala exactamente. A mesma marca, o mesmo pacote, pode ser comprado no país A com a droca Y lá dentro e no país B, o mesmo pacote com a mesma marca ter a droga Z, que não terá necessariamente a mesma composição. Por isso as novas drogas propõem múltiplos problemas e representam um desafio enorme”.

A cocaína interceptada entre Portugal e Espanha, desceu de 84 toneladas, em 2006 para 20 toneladas em 2011.