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Turquia: pressão explode, como se esperava

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Turquia: pressão explode, como se esperava

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Na Turquia, depois de uma manhã relativamente calma, os confrontos entre manifestantes e polícia voltaram à ordem do dia.

Um homem morreu, quando um taxista conduziu o seu veículo no meio de uma manifestação que ocupava uma autoestrada, em Istambul. A vítima mortal é um jovem de 20 anos. Segundo os médicos, quatro pessoas ficaram feridas, uma das quais com gravidade.

Na capital, Ancara, os confrontos com a polícia recomeçaram, quando um grupo de manifestantes tentou atacar a sede do AK, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, no poder.

A polícia recorreu a granadas de gás lacrimogéneo e canhões de água, para dispersar os manifestantes.

A Confederação dos Sindicatos dos Trabalhadores Públicos convocou uma greve para os dias 4 e 5, terça e quarta-feira. Os sindicatos juntam-se agora à contestação que começou com manifestações pacíficas contra um projeto de urbanização que prevê o abate de árvores, em Istambul.

O que é certo é que os protestos de quatro pessoas, rapidamente passaram a ser os protestos de 4 mil. Contra o abate de árvores, contra a proibição de não beijar em público, contra a interdição de bebidas alcoólicas numa raio de 200 metros em redor das mesquitas…. o mal estar foi crescendo e pressentia-se.
A mobilização que começou por pequenos nadas atingiu números sem precedentes e pressiona agora o governo de Recep Tayyip Ergogan.

O primeiro ministro é acusado de autoritarismo. Eleito com 50% dos votos nas legislativas de 2011, o líder do partido islamista moderado AKP, impõe a hegemonía política à sociedade, em todos os âmbitos.

Antes do final do terceiro e último mandato, em 2015, quer reformar a Constituição para dotar de poderes executivos a presidência do país e não esconde a intenção de se candidatar às presidenciais e ganhar.

Durante estes dez anos de poder do AKP, a Turquia beneficiou de estabilidade política à custa do golpe do governo contra o poder militar, garante do laicismo, estabelecido desde o tempo de Ataturk: um terço dos os oficiais foi para a reserva forçada e os generais mais importantes foram presos. Os laicos andam como “os gatos nem telhado de zinco quente.”

No final de maio, reuniram-se em Ancara para se beijar em público e protestar assim contra a proibição de dar um beijo no metro da capital.

A suspeita de querer islamizar a sociedade turca, pouco a pouco, reforçou-se com a aprovação de uma lei que proibe a publicidade e limita a venda de álcool. Muitos turcos consideram que a lei viola a vida privada dos cidadãos.

No início de maio, o pessoal da Turkish Airlines denunciava a proibição de unhas pintadas das hospedeiras, supostamente a pedido dos passageiros. Mas para os sindicatos trata-se claramente de uma postura política e ideológica e não uma decisão motivada pela freguesia.

No dia 15 de abril, o músico e pianista Fazil Say foi condenado a 10 anos de prisão por ter feito vários twets considerados pelo Tribunal como “insultantes para os valores religiosos de uma parte da população turca”

O sabado passado ficou marcado por um discurso firme do primeiro-ministro, em que ele pediu para terminarem as manifestações.

Recep Tayyip Erdogan pediu aos manifestantes para acabarem com este movimento mas, aparentemente, os manifestantes não vão fazer marcha atrás. Também disse que pediu ao ministro do Interior para tomar as medidas necessária para evitar o uso de força excessiva .

A sociedade turca também desaprova a política externa de Erdogan na Síria e pede a demissão do chefe da diplomacia turca. Os manifestantes acusam o governo da explosão de duas bombas em Reyhanli que causaram 51 mortos perto da fronteira com Síria, a 11 de maio.