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Turquia: "não é agora que nos vamos render"

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Turquia: "não é agora que nos vamos render"

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A vaga de protestos na Turquia provoca uma segunda vítima mortal, no dia em que os sindicatos do país iniciam uma greve geral de 48 horas contra o que consideram ser uma política de “terror contra os opositores”.

Esta madrugada, os manifestantes continuavam a ocupar o parque Gezi, o epicentro da revolta contra a destruição da zona verde, junto à praça Taksim, em Istambul.

Nos bairros periféricos da cidade, assim como noutras regiões do país, os manifestantes continuam a erguer barricadas, tendo interrompido várias estradas para impedir o avanço da polícia e para proteger-se dos canhões de água e das balas de borracha.

“Tenho esta máscara mas é quase impossível protegermo-nos do gás lacrimogéneo que é bastante eficaz. É impossível resistir mais do que alguns minutos”, afirma uma manifestante.

Outro manifestante afirma, “estamos numa situação que seria inaceitável em qualquer parte do mundo. Nunca vi um governo e uma polícia com tanto ódio contra o próprio povo. Nós não vamos desistir, se aguentámos até hoje não é agora que nos vamos render”.

Ao quinto dia de manifestações contra o governo, a polícia voltou a usar gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes em Ancara e noutras cidades turcas.

Um militante da oposição de 22 anos faleceu ontem, no sul do país, junto à fronteira com a Síria, depois de ter sido gravemente ferido por disparos durante uma manifestação. A polícia afirma ter aberto uma investigação ao incidente.

O presidente turco Abdullah Gul interviu ontem para tentar acalmar a revolta, afirmando que as autoridades, “ouviram a mensagem dos manifestantes e vão agir em consequência”.

Uma reação mais comedida do que a do primeiro-ministro Tayyp Erdogan, que tinha acusado a oposição de fomentar os protestos, tendo afirmado esperar, “que a situação se acalme até ao meu regresso”, antes de partir para uma viagem a Marrocos.

O vice-primeiro-ministro turco, Bülent Arınç, que assume provisoriamente as funções de Erdogan, convocou uma conferência de imprensa para esta manhã às 12h00 locais, num momento em a polícia deteve mais de 360 pessoas desde o início dos protestos.