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Mundial 2014: Governo brasileiro quer um mês de feriados para combater o trânsito e a falta de transportes

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Mundial 2014: Governo brasileiro quer um mês de feriados para combater o trânsito e a falta de transportes

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A poucos dias do início da Taça das Confederações e a menos de um ano do arranque do Mundial, muita coisa ficou por fazer no Brasil. Os estádios incompletos são a menor dor de cabeça para a organização. O trânsito, as escassas linhas ferroviárias, os transportes públicos limitados e os pequenos aeroportos serão um desafio para o país que ambiciona receber três milhões de turistas durante o mundial. Todos os dias, 38 aviões aterram e descolam por hora no Brasil, enquanto a média internacional é de 88. Quatro aeroportos passam por obras de alargamento, mas ainda não há certezas sobre a conclusão antes do início do mundial. As duas novas linhas de metro na cidade do Rio de Janeiro também não serão concluídas para o mundial, somente para os Jogos Olímpicos 2016.

Para os antigos futebolistas Zico e Romário, o país não está preparado ao nível de infraestruturas públicas para acolher um evento da dimensão do campeonato do mundo de futebol.

“Quando o Brasil aceitou organizar o campeonato do mundo de 2014, foram imediatamente prometidas uma série de coisas ao brasileiros, que infelizmente não saíram do papel como por exemplo a mobilidade urbana e os acessos para os deficientes”, afirmou o campeão do mundo de 1994 e atual deputado federal, Romário.

Zico, antiga estrela do Flamengo e da seleção brasileira, lembrou que o Brasil ainda tem muito trabalho para fazer este ano.

“O que me preocupa são os aeroportos, hotéis, tecnologia, telecomunicações, que hoje em dia estão sobrelotados e sobrecarregados e nós deixamos muito a desejar nessa matéria”, nota.

A euronews foi até ao Rio de Janeiro, cidade que vai receber a grande final da Taça das Confederações e do Mundial 2014. No Rio, os moradores já estão habituados ao turismo, mas os visitantes pedem melhores infraestruturas e transportes.

“A infraestrutura pública tinha de melhorar um pouco, mas acho que eles vão lá chegar. O metro e o trânsito são muito maus”, referiu um turista norte-americano que visita o Brasil com frequência.

Já para uma estudante Erasmus francesa, entrevistada pela “euronews”, o grande problemas são os autocarros:

“Os autocarros não funcionam bem, há muitas linhas, mas as viaturas demoram horas e horas para chegar a qualquer lado. Só há uma linha de metro e não passa em muitos lugares. Os transportes públicos não são muito práticos.”

Como combater o trânsito sem transportes públicos adequados?

Em São Paulo, a situação não é melhor. O metro é um dos mais lotados do mundo com quatro milhões de pessoas por dia. Nas ruas da maior cidade do país, a situação é exaustiva: existem mais de sete milhões de veículos para 20 milhões de pessoas. Com um cenário assim e a menos de um ano do mundial, o governo só vê uma solução possível:

“Para além das infraestruturas críticas que têm de ser montadas, algumas obras essenciais talvez não fiquem completas a tempo. Porém, serão compensadas com medidas operacionais como por exemplo: decretar feriado no dia de jogos, o que por si só irá reduzir a demanda do sistema de transportes públicos da cidade”, revelou em entrevista à euronews, o secretário executivo do ministério do desporto, Luis Fernandes.

euronews: Mas nesse caso, como cada cidade pode acolher quatro ou cinco jogos durante o mundial, isso significa que cada cidade terá o mesmo número de feriados?

“É possível que sim”, respondeu Luis Fernandes, negando que a medida possa prejudicar a económica do país. “Eu acho que o impacto negativo da criação dos feriados, será bem menor do que os ganhos de o Brasil ter sediado com eficiência o mundial em determinada cidade.”

Investimento sem garantia de benefícios

Até ao momento, o investimento público em estádios e infraestruturas só para o mundial já ultrapassou os 11 mil milhões de euros, um valor superior ao que foi inicialmente previsto. Nem todas as obras vão ficar prontas antes do início da competição e muitos brasileiros não acreditam que o país melhore depois do evento. Porém, o secretário executivo do ministério do desporto, Luis Fernandes, expôs à euronews a visão do governo.

“Estamos a criar novas linhas de transporte e infraestruturas não para o mundial, que é um evento de um mês, mas sobretudo para os moradores das cidades. O governo está a implementar uma rede de banda larga nacional que vai assegurar o acesso à internet de alta velocidade em todas as regiões do Brasil, inclusive na Amazónia que não tinha esse acesso até agora”, explica.

Já o deputado federal Romário avalia de maneira diferentes os investimentos do governo para o mundial. O campeão do mundo de 1994 pela canarinha tem dúvidas de que o país venha a beneficiar com o evento.

“Infelizmente muitas das coisas que aconteceram em relação à Taça das Confederação hoje já não são positivas para o país, principalmente devido aos gastos desnecessários em estádios e algumas infraestruturas. Não podemos esquecer que o Brasil ainda tem muitos problemas sociais como os hospitais e as escolas públicas sem condições. Mas como brasileiro, eu sou positivo e quero acreditar que esses eventos tragam coisas boas para o país e possam deixar legados importantes para a população”, concluiu Romário.