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A ascensão das máquinas arranca no Japão

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A ascensão das máquinas arranca no Japão

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Não lhe vamos falar de uma fábrica do futuro nem de nenhum dos mundos imaginários por onde por vezes andamos. Nem nos vamos referir uma nova sequela do filme “Transformers”. Mas pode ser, quem sabe, o início da profecia cinematográfica de que nos avisavam na saga dos filmes “Exterminador Implacável” (“Terminator”), de Arnold Shwarzenneger.

A fábrica de que lhe vamos falamos é dos dias de hoje. Existe, como seria de esperar, próximo de Tóquio, no Japão. Nela, os robots estão a começar a trabalhar lado a lado com os seres humanos e a ganhar-lhes a amizade.

“É simpático. É como se ele fosse um ser humano”, diz-nos uma operária da fábrica sobre o novo colega de trabalho autómato. Outra, a rir, diz que o robot com quem trabalha até “é bonitinho.”

Construídos pelas indústrias KAWADA, estes robots foram batizados como Next Age, ou seja, em tradução livre: a próxima era. Têm 4 câmaras incorporadas – duas nos olhos e duas nas mãos. Parecem conseguir fazer o mesmo olhar com que o ET, de Steven Spielberg, nos seduziu há cerca de 30 anos. Os colegas de trabalho humanos aceitaram os reforços e os Next Age já fazem parte da equipa. “Trabalham com mais precisão, próximos de nós, e isso é até se torna um desafio”, confessa uma outra trabalhadora desta inovadora fábrica japonesa.

O Next Age nasceu há cerca de 5 anos, não muito longe desta fábrica de Tóquio. É aquilo a que muitos patrões podem descrever como um empregado de sonho. Mas que muitos trabalhadores, e sobretudo os sindicatos, irão ver como uma ameaça. Nunca está cansado, não reclama e nunca faz greve. “Pode trabalhar 24 horas por dia durante três a cinco anos. Não tem férias e nunca adoece”, sublinha Atsushi Hayashi, um dos engenheiros da KAWADA.

Como é natural – por enquanto, pelo menos – o Next Age não pensa por si mesmo nem toma iniciativas. Faz o que lhe mandam e nada mais. Mas o que faz, faz com grande precisão. Está programado para isso e “não é nada complicado”, explica-nos o informático Iroyuki Fujii, acrescentando que “existe um programa para cada movimento que o robot faz”. “Basta escolher os que precisamos e combina-los como desejarmos que sejam processados”, concretiza.

É lógico que há quem esteja já a esfregar as mãos de contente com este novo tipo de operário. E nem mesmo os cerca de 30 mil euros que custam deverá assustar porque o retorno do investimento deverá ser conseguido em pouco tempo. Mas, recordando a já citada saga de filmes do “Exterminador Implacável”, em que as máquinas demoraram 15 anos a revoltar-se, num género de Primavera dos Robots que as levou no filme a tomar o poder no planeta e a subjugar os homens, esperemos que a ficção levada ao grande ecrã por Arnold Shwarzenneger não se torne totalmente realidade em 2028.