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Computadores verdes e servidores solidários

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Computadores verdes e servidores solidários

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A inovação acelerada torna os produtos obsoletos em pouco tempo. Em 1995, a média de vida de um computador era de sete anos, agora é de dois. Com apenas 20% dos computadores europeus reciclados, a estimativa é que cada pessoa produza 25 quilos de lixo eletrónico, por ano. Construir um novo PC requer 240 kg de energia fóssil, 1.500 litros de água e um coquetel de 22 kg de produtos químicos diferentes.

euronews: “A resposta para este problema pode ser encontrada aqui, numa aldeia improvisada construída para os sem abrigo de Lyon, onde se usa material informático reciclado. Vejamos como.”

Estendendo-se por 2500 m2, esta aldeia em Villeurbanne foi inaugurada no início de janeiro de 2012. Dezenas de “bungalows” foram instalados para acolher pessoas sem domicílio.

Com o duplo reconhecimento que a deposição do lixo eletrónico em aterros é canibalizar o meio ambiente e que os que não possuem acesso a computadores estão cada vez mais em risco de isolamento social, a empresa francesa DotRiver criou aqui um “servidor de solidariedade”.

Salvando três terminais obsoletos da sucata, os técnicos ligaram-nos como computadores de “self-service”, prolongando a sua vida útil por mais dez anos.

O homem por trás da ideia é Aubriot François, diretor da Dot River. O servidor, como tudo nesse projeto, também é construído a partir de material reciclado.

François Aubriot, diretor Dot River: “Existem sistemas básicos como este, que são apenas utilizados para operar o monitor, teclado e a ligação de rede. É um terminal, um terminal simples com todos os programas, o ambiente, os dados e a segurança estão no servidor. Se fizermos os materiais durar mais, como fizemos aqui, vamos consumir menos aparelhos novos, o que terá um impacto positivo no meio ambiente.”

Mas este projeto ultrapassa o local e o social, é um projeto global e verde.

Mawa veio com a filha da Costa do Marfim, na esperança de conseguir trabalho e integração na sociedade francesa.

euronews: “Qual é a importância de ter acesso a um computador?”

Mawa, residente: “É vital para me ajudar a encontrar as associações que me possam ajudar a integrar-me.”

euronews: “Você sabe que estes são computadores antigos e reciclados?”

Mawa:“O que eu quero do computador eu recebo, então para mim se ele é reciclado, isso é ótimo!”

Lorena vem da Colômbia, e mora em Villeurbanne com o filho. Como Mawa, está ansiosa para melhorar o francês e encontrar trabalho.

euronews: “Por que é importante para si que existam computadores neste centro?”

Lorena, residente: “É importante porque me ajuda a procurar um emprego, a transformar o meu CV espanhol num francês, a estudar francês através de um curso on-line, a aprender a ouvir e a falar. E também a comunicar-me com a minha família.”

O ritmo da mudança de tecnologia continua incessante e os produtos eletrónicos ficam desatualizados num piscar de olhos, está na altura de focar o holofote verde para a reciclagem eletrónica.