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Encerramento de televisão pública abre crise política na Grécia

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Encerramento de televisão pública abre crise política na Grécia

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O encerramento da companhia de rádio e televisão pública grega ameaça aprofundar a crise política no país, num momento em que, segundo as sondagens, cerca de 68% dos gregos estão contra a decisão do governo.

Os dois partidos minoritários da coligação governamental rejeitaram ontem a proposta do primeiro-ministro de reativar as emissões com apenas um quarto dos cerca de 2600 trabalhadores, durante um período transitório de dois meses.

Antonis Samaras deverá reunir-se com os líderes do PASOK e do partido Esquerda Democrática, na segunda-feira, para tentar chegar a um acordo, quando o governo pretende criar uma nova companhia de televisão até ao final de Agosto.

Apesar da interrupção das emissões hertzianas, os jornalistas continuam a transmitir os programas via internet, pelo quinto dia consecutivo.

“O que o governo de Samaras está a fazer é inaceitável, trata-se de algo absolutamente inédito, e os trabalhadores não vão permitir a abertura de um novo canal”, afirma um produtor da ERT.

O governo justifica a decisão com os custos elevados do canal, ameaçando mesmo revelar o que considera ser, “os escândalos da gestão do canal”.

Um economista grego avança uma tese sobre os objetivos do encerramento abrupto, “penso que o governo tem medo da reação da população e dos trabalhadores, eles estão a tentar vender a televisão pública para poder comercializar as frequências, provavelmente para entregá-las ao setor privado de forma a que sirvam os interesses do governo”.

Depois das manifestações dos últimos dias, o sindicato dos jornalistas convocou uma nova greve, este sábado, que deverá perturbar as edições de domingo dos principais jornais gregos.

O tribunal constitucional grego deverá pronunciar-se, no início da próxima semana, sobre a legalidade do encerramento da ERT, visto como mais uma medida de austeridade quando Atenas se comprometeu com a “Troika” a despedir 4 mil funcionários públicos este ano e mais 15 mil até ao final de 2014.