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PME: A chave para a crise do trabalho na Europa?

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PME: A chave para a crise do trabalho na Europa?

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Após cinco anos de crise económica, a Europa sofre a pior crise laboral desde 1930. Pode o mercado do trabalho na Europa ser revitalizado? A questão foi abordada no World Investment Conference Europe. O evento teve lugar este ano em Estrasburgo, em França, e atraiu cerca de 500 dirigentes políticos, empresários e investidores.

Gunter Verheugen, antigo comissário europeu para a Indústria, defende que a Europa tem de definir as suas prioridades: “Em primeiro lugar, precisamos de uma análise realista das nossas fraquezas e deficiências. Em segundo, temos de analisar a questão do ponto de vista das mudanças necessárias em termos institucionais, políticos e económicos”.

Uma das maiores fragilidades económicas da Europa é a ausência de crescimento das pequenas e médias empresas (PME), que representam 99% do tecido empresarial da região e 67% do emprego na UE.

O acesso ao financiamento é o grande entrave e, apesar da intervenção estatal, os bancos mantém-se reticentes a conceder crédito. Por isso, as empresas viraram-se para modelos alternativos de financiamento, como os empréstimos através de cartões de crédito ou o financiamento coletivo (crowdfunding).

Oliver Gajda, presidente da rede europeia de crowdfunding, dá alguns pormenores: “Temos 23 milhões de PME na Europa e apenas 30% têm crédito bancário. Todos os anos apenas 0,02% são financiadas através de capitais de risco e ainda menos a fundo perdido. Há uma ampla discrepância entre as empresas e os fundos disponíveis”.

À Europa e aos governos, as PME não pedem apoio financeiro, mas menos burocracia e mais orientação. Denis Jacquet, lidera “Parrainer la Croissance”, uma organização francesa que apoia as PME: “Não precisamos de mais leis e regulamentos. Pelo contrário, é necessário reduzir o número de imposições, ajudar a lançar negócios e clarificar o acesso a todas as medidas. Nenhum empresário europeu tem uma ideia de todas as ajudas que existem. Além disso, é preciso ensinar às PME que o internacional, não apenas a Europa, é uma oportunidade de desenvolvimento. São elas que têm de ir conquistar os mercados emergentes”.

Uma forma de tornar uma start-up numa empresa de sucesso é sair do país de origem. Foi o que fez a empresa francesa de eletrónica de consumo, Withings. Criada há cinco anos por três pessoas da indústria tecnológica e telecomunicações, Withings, produz dispositivos inteligentes de saúde ligados à Internet. Hoje tem 50 empregados e vende para mais de 50 países. O que fazer para uma empresa crescer?

Cédric Hutchings, presidente executivo e cofundador da Withings, afirma: “É preciso sair rapidamente do nosso país, do mercado limitado, porque quando se trata de inovação e tecnologia, o mercado é mundial. Por isso, penso que antes de mais é preciso reconhecer que é possível, que os instrumentos existem para que mesmo uma pequena empresa como a nossa possa fornecer e vender os seus produtos mesmo nas regiões mais longínquas”.

As pequenas e médias empresas têm um grande potencial para fazer crescer a economia europeia e o mercado do trabalho. Mas para isso, necessitam do bom apoio dos governos.

Segundo Natalia Marshalkovich, jornalista da euronews, “o famoso aforismo ‘pense mundial e aja a nível local’ é agora mais relevante do que nunca na Europa. Os participantes nas discussões em Estrasburgo chegaram à conclusão que os políticos europeus têm de estar mais conscientes do que as empresas precisam para criar, de forma eficaz, postos de trabalho”.