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Egito: um ano de Mohamed Mursi

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Egito: um ano de Mohamed Mursi

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Eleito presidente da República com 51,73% dos votos, Mohamed Mursi acaba de completar um ano de mandato. O líder islâmico foi o primeiro egípcio a ser escolhido de forma democrática para governar um país de 83 milhões de habitantes. Mas doze meses depois, a política de Mursi não convenceu a população e os confrontos não têm fim no Egito.

Mohamed Mursi de 62 anos prometeu ser o presidente de todos e para todos. Porém, a sombra da ditadura voltou às ruas do Egito. O presidente reconheceu os erros e foi mais longe ao afirmar que a constante instabilidade e as divisões do país podem ameaçar a democracia e paralisar o Egito.

Os numerosos apoiantes do presidente, reforçaram, nos últimos dias, a legitimidade que Mohammed Mursi conquistou nas urnas de forma democrática e culparam a herança de Hosni Mubarak como causadora da atual instabilidade. No entanto, o que se vê nos muros e paredes do Cairo são caricaturas de Mursi, em que o presidente é representando por um polvo ou como um oligarca que distribui os peões pelas ruas de todo o país.

Outros consideram-no um líder sem personalidade, uma marioneta que recebe ordens da Irmandade Muçulmana. Mursi é constantemente alvo dos cómicos egípcios, como o famoso Bassem Youssef nos seus talk shows.

Constituição polémica

Em dezembro de 2012, a nova constituição foi aprovada com 64% dos votos a favor, através de um referendo, que segundo a oposição, ficou marcado por várias irregularidades. Os laicos egípcios denunciaram a consagração da sharia como fonte de direito na nova Constituição.

“Estamos verdadeiramente preocupados com a liberdade e os direitos dos egípcios sejam eles mulheres, crianças, jovens ou homens adultos, núbios, beduínos do Sinai, muçulmanos ou cristãos. A atual constituição não protege os direitos de todos os egípcios”, afirmou Ghada Shahbandar, quadro da Organização Egípcia para os Direitos Humanos.

A violência provocada por fanatismos religiosos também não recuou fim durante o primeiro ano de mandato de Mursi. No mês de abril, quatro coptas e um muçulmano morreram em confrontos no norte do Cairo. Dois dias depois do funeral, os confrontos continuaram na capital egípcia.

Para agravar as dificuldades do atual governo, na semana passada foi a vez da população de Luxor se manifestar. Mursi nomeou para governador regional um antigo membro da Gamma al Islamiya, um grupo acusado de matar 58 turistas em Luxor em 1997. A escolha provocou novos protestos e confrontos entre população que levaram o governador a renunciar.