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Agitação social no Egito

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Agitação social no Egito

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Para o poder político, um ano é pouco tempo, mas os egípcios viveram-no como uma eternidade de desilusões.

Para muitos, a situação não melhorou absolutamente nada nos últimos 12 meses, pelo contrário, e o primeiro presidente eleito depois da revolução perdeu apoios e dececionou os otimistas que apostaram nele, há um ano.

Os egípcios sabiam que ele herdava uma situação delicada, o que criticam é que Morsi não tenha sido capaz de se rodear de pessoas competentes para executar as suas promessas.

Ahmed Maher, dirigente do Movimento 6 de abril:

“É normal que o primeiro presidente depois de uma revolução tenha de lutar. A pressão é enorme e ninguém afirma o contrário, mas eles dizem: temos a solução, temos um projeto de renascimento e vamos resolver todos os problemas do Egito. Então demonstrem-no.”

O movimento 6 de abril, que surgiu para acabar com o regime de Mubarak, luta agora contra Morsi. É um dos que apoiam a associação a Tamarod (Rebelião) que reuniu 22 milhões de assinaturas para exigir a demissão do governo.

Para além das divisões políticas e dos retrocessos nas liberdades impostos pela Irmandade Muçulmana, os egípcios viram deteriorada a vida no quotidiano, um dos principais fracassos de Morsi.

Para encher o depósito de gasolina, por exemplo, são necessárias cinco horas. A população está exasperada:

“Para Morsi, a solução é dizer: muito obrigado, mas não consegui fazer nada melhor pelo país e deixar o poder a quem faça melhor. Não deve se envergonhar e reconhecer que é incapaz de fazer seja o que for.”

O desemprego continua a aumentar e a queda da libra egípcia provocou uma inflação galopante que penaliza todos. O preço do pão, problemático no Egito há muito tempo, continua a aumentar, tal como o preço da fruta e dos legumes, como se queixa um consumidor:

“O que antes custava uma libra egípcia, agora custa entre 4 e 5. Se ganhar 500 ou 600 libras por mês, tenho de comprar só um quilo de fruta por mês?

Os cofres do Estado também se esvaziam. Os investidores retiraram-se e o turismo, um dos motores da economia nacional até à revolução, continua em baixa.

O principal recurso do país, o setor do turismo, representava uma quarta parte dos rendimentos em divisas e 12% do PIB, antes da revolução, mas, só em 2011, desceu para um terço.

A instabilidade, a revolução, mas também o receio de muitos turistas em viajar para um país islâmico, constata-se nas praias e hotéis vazios.