Última hora

Última hora

Europa: desemprego da geração perdida

Em leitura:

Europa: desemprego da geração perdida

Tamanho do texto Aa Aa

Têm entre 15 e 24 anos, na maioria do casos não fizeram nem vão fazer estudos universitários, já lhes chamam “a geração perdida”. As taxas de desemprego nesta faixa etária são duas a três vezes mais altas do que as das gerações mais velhas. Os jovens são as primeiras vítimas da crise no mercado de trabalho. Desde 2008 que a sua situação não pára de degradar-se.

Com 26,5 milhões de desempregados – ou seja 11% da população ativa, contra 7,5% nos Estados Unidos e 4,1% no Japão – a União Europeia foi duramente atingida pelo desemprego. Se as diferenças já são enormes entre os países da UE – com a Alemanha e a Áustria abaixo dos 6% e a Espanha e a Grécia acima dos 25% – o contraste é gigantesco quando olhamos para os números dos jovens: são mais de 5,5 milhões, os que estão desempregados, uma taxa de 23,5%. A situação em Espanha e na Grécia é catastrófica com mais de metade dos jovens sem trabalho.

A Europa tenta responder a esta emergência. Na cimeira da semana passada, a Alemanha e a França assumiram a iniciativa e apresentaram medidas. O desemprego jovem foi uma das bandeiras da campanha de François Hollande

Será aberta uma linha de crédito para ajudar prioritariamente as regiões onde o desemprego jovem é mais elevado. Em perspetiva, está a criação de uma “garantia jovem” que consistirá em oferecer um emprego, uma formação ou um estágio a qualquer jovem que esteja inativo há mais de 4 meses.

O objetivo é que os jovens não sejam marginalizados do mercado de trabalho e mesmo da sociedade, porque o desemprego, em especial o de longa-duração, pode ter consequências nefastas para o futuro dos jovens, particularmente dos que não têm formação superior e podem conduzir a situações de desespero e violência.

A crise já teve pelo menos um efeito positivo: Em Espanha, muitos jovens estão a regressar à escola depois da bolha do imobiliário ter explodido, deixando-os sem qualquer perspetiva de trabalho, como se queixa Luis Filipe: “-Os que regressam às aulas confessam que chegaram a pensar que não é preciso estudar. Quando se ganha 900 euros aos 17 anos acha-se que é muito, mas depois…”

Quando a realidade bate à porta, os jovens tomam consciência da necessidade de formação e, mesmo com as competências adquiridas, nada garante que encontrem trabalho.