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Irmandade Muçulmana versus exército egípcio

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De  Euronews
Irmandade Muçulmana versus exército egípcio

<p>Riad Muasses, euronews – Depois dos últimos acontecimentos no Egito, a intervenção do exército na vida política e a destituição de Mohamed Morsi, falamos com nosso correspondente no Cairo, Mohamed Shaikhibrahim.</p> <p>Mohamed que ambiente se vive no país depois da destituição de Morsi?</p> <p>Mohammed Shaikhibrahim – O Conselho Militar decidiu ontem à noite que o presidente do Tribunal Constitucional vai assumir provisioriamente a presidência do Egito. A notícia é aclamada aqui, no Cairo, mas também noutras cidades do país…festeja-se a chamada “revolução corretiva”.</p> <p>Riad Muasses – Os grandes atores internacionais querem que a democracia volte ao Egito, será possível?</p> <p>Mohammed Shaikhibrahim – O Conselho Militar assegura que não tentará ficar com o poder e que não tem intenções políticas. Assegura que sua única intenção é evitar os banhos de sangue e acalmar a situação no Egipto. Hoje o presidente do Tribunal Constitucional tomou posse como presidente interino e espera formar governo o quanto antes.</p> <p>Riad Muasses – Em caso de novas eleições antecipadas em Egipto achas que há possibilidades da Irmandade Muçulmana regressar ao poder? </p> Mohammed Shaikhibrahim – A Irmandade Muçulmana pretende continuar na cena política, é o achamos depois de uma visita à mesquita de Raiva Adawia. Asseguram que vão resistir até ao fim e consideram que a decisão do Conselho Militar não é válida. <p>Riad Muasses – Sim, mas em caso de eleições antecipadas, a Irmandade Muçulmana pode ganhar?</p> <p>Mohammed Shaikhibrahim – É a pergunta que vou transmitir a nosso convidado, o analista político Saad Hajras, mas antes, vejamos a análise da nossa redação. </p> <p>Quando tomou posse, depois de ganhar as primeiras eleições livres do Egipto, Mohamed Morsi estava longe de imaginar que seria destituído, brutalmente, um ano depois. </p> <p>Morsi foi o primeiro presidente civil do maior país do mundo árabe e da Irmandade Muçulmana.</p> <p>O golpe de Estado do exército, que provocou a queda do único presidente de Egito da Irmandade, foi um duro golpe e mais um capítulo na velha luta entre islamitas e militares, uma longa história de inimizade que remonta a 1952. Poucos são os membros desta fraternidade que não passaram pelos cárceres egípcios antes da revolução.<br /> A Irmandade Muçulmana não participou nas manifestações contra Mubarak, logo no início, apesar de ter sido afastada por ele da vida política.</p> <p>Quando se juntou aos manifestantes, posicionou-se ao lado do exército que, por sua vez, mostrou a solidariedade com a população desde o princípio da revolta.<br /> Para o exército, que quer manter a todo o custo as suas prerrogativas, manter o apoio da população é essencial. <br /> Foi o exército o que forçou a queda de Mubarak e tomou as rédeas do poder durante o período de transição….uma transição demasiado longa para a população, que acabou por exigir o afastamento do exército e a organização de eleições presidenciais.</p> <p>Morsi chegou ao poder nesse contexto de tensão, seis meses mais tarde. Não tinha uma grande margem de manobra, mas, desde o primeiro momento tomou decisões importantes e simbólicas, como afastar o todo poderoso marechal Husein Tantawi, que chefiou as Forças Armadas desde 1991. Substituiu-o por Abdel Fatah al Sisi, um militar bem mais jovem que os antecessores. </p> <p>Mas Morsi não retirou as mordomias do velho inimigo e as relações com o exército foram uma mistura de braço de ferro e de concórdia forçada. </p> <p>Por isso, quando o presidente começou a perder a batalha no terreno social e começaram as manifestações, o exército colocou barricadas em torno do Palácio presidencial, alegadamente para proteger o presidente e, principalmente, para marcar o terreno e reafirmar-se como único garante da vontade do povo.</p> <p>Esta parece ser a mensagem que tentam transmitir as forças armadas, mas para além das declarações de intenções, muitos temem que os objetivos dos militares vão para além do papel de defensores da democracia…</p> <p>“Este caminho vai levar à criação de um Estado democrático moderno”</p> <p>No Cairo, o nosso correspondente Mohammed Shaikhibrahim falou com o analista político Saad Hagras sobre o futuro do país.</p> <p>Mohammed Shaikhibrahim, euronews:<br /> “Como é que vê a situação no Egito?”</p> <p>Saad Hagras, analista político:<br /> “É uma grande revolução a todos os níveis. Em tamanho e em escopo. Não me parece que a humanidade tenha visto uma manifestação como esta antes. 33 milhões de egípcios saíram às ruas em todo o país para pedir mais liberdade. Em segundo lugar, as exigências desta revolução foram claras, em comparação com a Revolução de 25 de janeiro que só pedia uma coisa, a queda de Mubarak. Agora, os egípcios estão a pedir a Mursi para deixar o poder, mas têm outras exigências, que são as mesmas que as do general al-Sisi no seu depoimento. Acho que estamos perante uma nova fase na política egípcia, que coloca o país num novo caminho. Este caminho vai levar à criação de um Estado democrático moderno.”</p> <p>Mohammed Shaikhibrahim:<br /> “Politicamente, que futuro tem a Irmandade Muçulmana no Egito?”</p> <p>Saad Hagras:<br /> “A Irmandade Muçulmana não foi excluída da política no Egito. O partido é confrontado com uma escolha histórica. Ou interpreta este evento da melhor maneira ou vai continuar a vê-lo como um golpe militar, o que não é verdade. Basta olhar para as imagens difundidas pelas televisões do mundo inteiro e vemos milhões de pessoas nas ruas. Tudo isto não tem nada a ver com um golpe militar.”</p> <p>Mohammed Shaikhibrahim<br /> “Vários líderes da Irmandade Muçulmana foram detidos e isso vai afetar o futuro político do partido.”</p> <p>Saad Hagras<br /> “Estas detenções não são motivadas politicamente, têm por base queixas-crime. Sabe que muitas pessoas foram mortas em frente à Universidade do Cairo e noutros lugares do Egito. A declaração do general al-Sisi deixou claro que não haverá exclusão de partidos políticos, mesmo a Irmandade Muçulmana.”</p>