Última hora

Última hora

Exército divide o Egito

Em leitura:

Exército divide o Egito

Tamanho do texto Aa Aa

Incontornável, o exército é o principal ator da vida política no Egito, desde os anos 60. Desta vez, os militares criaram uma situação potencialmente explosiva: depuseram um presidente criticado por uma boa parte da população, mas que foi democraticamente eleito, com o apoio de uma maioria de eleitores.

Pela mão de Mohamed Morsi, uma nova geração de generais, incarnada na figura de Abdel Fattah Al-Sissi, chegou ao poder, mas rapidamente se voltou contra o presidente e intitula-se agora de representante do povo.

“Somos governados exclusivamente pelo que é a vontade do povo egípcio. Respeitamo-la, protegemo-la com toda a objetividade, justiça, honra e sem desilusão. Não iremos concordar ou aprovar ou permitir que o Egito entre num escuro túnel de conflito ou luta interna ou guerra civil”, afirmou Al-Sissi.

Al-Sissi é aclamado pelos seus apoiantes. Afirmam que foi a vontade do povo e não um golpe militar que derrubou Morsi.

O exército, que aguardava a sua hora para recuperar a credibilidade perdida durante o longo período de transição após a queda de Mubarak, fez apenas o seu dever, afirmam os seus apoiantes:

“Esta é a vitória do povo egípcio. Estamos contra a Irmandade Muçulmana. O ministro da Defesa, Abdel Fattah al-Sissi é um herói”, afirmou um cidadão.

Do outro lado da barricada, os fiéis a Morsi agitam a bandeira democrática, denunciam uma revolução sequestrada pelos tanques e as mortes dentro do seu campo e apelam à comunidade internacional:

“Escolhemos a democracia, as eleições. Aprendemos muito com o Ocidente, elegemos um presidente e escolhemos a liberdade. O mundo inteiro viu o que alcançamos e agora foi tudo destruído”, criticou um apoiante do presidente deposto.

Há vários dias que a Irmandade Muçulmana apela aos seus apoiantes para que se revoltem contra o exército e os seus líderes.

“Estamos preparados para o sacrifício com o objetivo de defender o nosso presidente Mohamed Morsi”, garantiu Mohamed Badie, o líder espiritual da Irmandade.

O exército foi elogiado pela população e o mundo viu imagens que recordam as de 2011, após a queda de Hosni Mubarak. No entanto, o momento atual é bem diferente já que, hoje, a população está profundamente dividida.

Muitos analistas interrogam-se sobre a capacidade do exército em manter o controlo, dada a situação explosiva que se vive e se será possível evitar um banho de sangue nas ruas sem recorrer à repressão.