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Bárcenas: Diário de um escândalo

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Bárcenas: Diário de um escândalo

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Durante os 20 anos em que geriu as contas do Partido Popular, Luis Bárcenas acumulou muito poder nos corredores do partido da direita espanhola. Ao longo do tempo, guardou segredos extremamente incómodos e potencialmente catastróficos para a direção do PP.

Em janeiro deste ano, rebenta o escândalo: O jornal El Pais publica as fotocópias da alegada contabilidade secreta do partido, notas supostamente escritas pela mão de Bárcenas. A confirmar-se a veracidade dos documentos, será provado um esquema de financiamento ilegal e de pagamentos em dinheiro a dirigentes do partido.

O PP apressou-se a desmentir as acusações pela voz da secretária-geral, Maria Dolores de Cospedal, que defendeu, no mesmo dia 31 de janeiro de 2013, a transparência das contas:

“A contabilidade do PP é só uma, é clara, transparente, limpa e submetida ao Tribunal de Contas”.

Revoltados com os casos de corrupção, os espanhóis regressam em força às ruas por causa deste novo escândalo.

Fevereiro começa com manifestações à porta da sede do PP a exigir a demissão do governo. No mesmo dia 2 de fevereiro, o chefe do executivo reúne de emergência com os dirigentes do partido. No final, Mariano Rajoy nega ter recebido qualquer envelope do saco azul de Bárcenas:

“É falso, nunca, repito, nunca recebi nem reparti dinheiro ilegal, nem neste partido, nem em nenhum lado”.

No debate sobre o estado da nação, a 20 de fevereiro, o líder da oposição, o socialista Alfredo Perez Rubalcaba insiste na demissão de Rajoy:

“Pedi-lhe que abandonasse a presidência do governo e desse a vez a outro porque acredito que é o melhor para Espanha”.

Bárcenas também nega a veracidade dos documentos publicados pelo El Pais, mas o inquérito em que é acusado prossegue e, a 27 de junho, o juiz impõe-lhe a prisão preventiva.

Dá-se o volte-face: Bárcenas reconhece os pagamentos por debaixo da mesa e os donativos ilegais do mundo empresarial ao partido, numa entrevista ao diretor do El Mundo. Terça-feira, dia 9 de julho, o jornal publicou os originais e uma parte dos cadernos com a contabilidade paralela. O governo espanhol treme.