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Como conseguir um emprego melhor

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Como conseguir um emprego melhor

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Depois de um longo período de desemprego, é frequente ficar-se desmotivado, sobretudo quando o mercado de trabalho parece oferecer poucas oportunidades.

Na Holanda, um programa por medida para combater o desemprego jovem de longa duração consegue obter bons resultados e até já exporta o método para outros países.

O método desenvolvido por Peter Van Schie, director do “Werkcenter” faz a ponte entre as competências dos jovens desempregados e as oportunidades reais de trabalho.

Além da aquisição de competências práticas, os jovens aprendem a lidar com os problemas pessoais que podem dificultar a integração profissional.

“O nosso modelo integra a aquisição de experiência profissional, em condições reais e um treino a nível profisisonal e pessoal. Às vezes, os jovens são competentes mas os problemas da vida acabam por ter um impacto ao nível do trabalho e é preciso aprender a lidar com isso. Trata-se de uma abordagem global”, afirma Peter van Schie, director do “Werkcenter”.

Stefen não terminou o ensino secundário, começou dois cursos que não acabou e ficou em casa ano e meio sem trabalhar. Nem sequer sabia o que queria, em termos profissionais. Depois de um período de treino, começou o estágio na Escócia.
Uma experiência que lhe mudou a vida.

“Inscrevi-me neste programa porque estive desempregado durante muito tempo. Sabia que teria de enfrentar um novo desafio e compreender melhor o que queria em termos pessoais e profissionais. Se não nos sentimos estáveis a nível pessoal também não teremos estabilididade profissional”, conta Stefan.

Na Escócia, os jovens trabalham para uma instituição de caridade.
A Quarriers ajuda deficientes e pessoas sem abrigo e está a aprender a dar formação profissional de acordo com o programa holandês.

Após o estágio intensivo de três meses, Ivar espera encontrar emprego quando regressar à Holanda.

“Durante três meses recebi subsídio de desemprego porque não tinha alternativa. Mas prefiro trabalhar do que receber subsídio”, garante o jovem de 27 anos.

Mais pessoas a trabalhar ou em formação e menos pessoas a receber subsídio. É um dos objetivos do chamado modelo holandês.

“Não se consegue o emprego de sonho logo no primeiro dia. Quando se termina a escola secundária, é preciso trabalhar até obter o emprego de sonho. Eu digo sempre, trabalha, mesmo que não seja o emprego ideal, mas a partir desse emprego podes encontrar outros empregos. É mais fácil passar de um trabalho para outro do que do subsídio para um trabalho”.

“Não tem de ser o emprego perfeito. Só o facto de estar a fazer alguma coisa já é muito importante”, sublinha Kimberley.

A jovem de 22 anos sonha em abrir uma loja de animais de estimação mas ainda não conseguiu um empréstimo bancário. Enquanto espera, o estágio permite-lhe voltar à vida ativa depois de mais de um ano no desemprego.

Além da Escócia, este programa holandês premiado a nível europeu, foi testado em Itália, Espanha e Alemanha.

“O nosso programa centra-se na aquisição de competências profissionais e tem em conta a especificidade de cada caso. Que estudos fez? Deixou a escola ? Não faz mal, vamos ver qual é o melhor trabalho para esse pessoa e o que podemos fazer com as competências e a experiência que essa pessoa tem”, resume Peter Van Schie.

Em média, 70% dos participantes, consegue um emprego ou inicia uma formação profissional.

Para muitos, o mais importante é voltar a sentir-se motivado.

“Quando estamos desempregados pensamos que ninguém nos vai dar trabalho. Ficamos um pouco desesperados. Quando temos a oportunidade de voltar a trabalhar é ótimo porque sentimos que voltámos a ser importantes. É uma das coisas que vou levar comigo, quando regressar casa, porque eu sou importante e há trabalhos que eu sei fazer”, confessa Kimberley.