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Rajoy minimiza escândalo e só pensa tirar Espanha da crise

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Rajoy minimiza escândalo e só pensa tirar Espanha da crise

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Mariano Rajoy reagiu esta segunda-feira, pela primeira vez, ao escândalo das contas ocultas do Partido Popular. Líder do partido e eleito através dele para o Palácio La Moncloa em dezembro de 2011, o chefe de governo de Espanha aproveitou a conferência de imprensa de resumo da nona cimeira hispano-polaca para responder a uma pergunta sobre a sua implicação no caso, nomeadamente através da publicação de mensagens telefónicas que teria trocado com o antigo tesoureiro do PP, Luis Bárcenas, que está detido sob acusação de ser um dos responsáveis pela gestão das polémicas contas ocultas. Ao lado de Daniel Tusk, o primeiro-ministro polaco, Mariano Rajoy leu uma resposta que havia sido, claramente, preparada para o momento.

Nessa resposta, o presidente do governo espanhol minimizou o caso que atinge com gravidade o coração do partido que lidera, mas sublinhou que está focado, sim, é no trabalho de tirar a Espanha da crise. Sobre as mensagens telefónicas publicadas na imprensa e a possibilidade de Bárcenas libertar para a esfera pública mais documentos se o partido não o ajudar, Rajoy recusou interferências no processo e foi taxativo: “Os SMS publicados ontem na imprensa ratificam o que eu já havia dito antes: as diversas instituições espanholas, como as do sistema judicial, a polícia judiciária e a administração fiscal estão a agir com absoluta independência.”

À mesma hora, curiosamente, que Mariano Rajoy reagia pela primeira vez ao caso, no Palácio La Moncloa, Luis Bárcenas era ouvido pelos juízes da Audiência Nacional espanhola. Uma sessão de julgamento – mais uma – que havia começado horas antes da declaração de Mariano Rajoy sobre o caso.

Nesta sessão, Bárcenas entregou ao tribunal uma pen drive contendo documentos digitais que podem ajudar a esclarecer a alegada contabilidade criativa do Partido Popular espanhol, a qual terá beneficiado, por exemplo, Rajoy em cerca de 25 mil euros não declarados quando este fez parte do executivo governamental de José Maria Aznar. De realçar que em Espanha existe uma lei datada de 1995 que proíbe os membros do governo de receber rendimentos extras, sejam esses pagamentos públicos ou privados.

Ainda muita tinta promete correr por causa deste escândalo que afeta gravemente o Partido Popular espanhol e toda a sua estrutura diretiva. Com a revelação das mensagens que implicam Mariano Rajoy, o caso já levou, inclusive, o lider do PSOE, Alfredo Perez Rubacalba, a exigir a demissão imediata do Presidente do governo. Uma exigência, por fim, que ficou sem resposta esta segunda-feira por parte de Mariano Rajoy, o qual mostrou, por outro lado, vontade de prosseguir o trabalho que tem vindo a fazer desde La Moncloa, em Madrid.