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Passageiros do Concórdia salvaram-se sem ajuda do Comandante; 32 ficaram para trás, tão perto da costa

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Passageiros do Concórdia salvaram-se sem ajuda do Comandante; 32 ficaram para trás, tão perto da costa

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Eram 21:30 h da noite de 13 de janeiro no paquete Costa Concordia quando se ouviu a primeira mensagem em português e depois noutras línguas.

O navio tinha sofrido um choque violento e virava-se, afundando.

Em alemão a mensagem dizia que “não havia razão para pânico porque os técnicos estavam a resolver o problema”.

O alerta geral não se deu imediatamente. Há testemunhas que afirmam que passou uma hora desde a colisão do barco contra a rocha. Outras dizem que foi hora e meia.
Havia que evacuar 4.229 pessoas do Costa Concordia, entre as quais, 1.023 membros da tripulação.

O tempo era pouco e os passageiros estavam em pânico.

Os botes de salvamento eram insuficientes. Alguns passageiros atiraramm-se à água, na escuridão, para tentar atingir a costa a nado.

O capitão, Francesco Schettino abandonou o barco – alegou ter caído ao mar – com a evacuação em curso.

Seguem-se excertos do diálogo entre o capitão de porto, Gregorio De Falco, e o comandate do “Costa Concordia”, a bordo de uma lancha de salvamento com o segundo oficial, Ciro Ambrosio.

De Falco: Que está a fazer comandante?

Schettino: Estou aqui para coordenar o resgate…

De Falco: E o que coordena aí? Vá para bordo! Coordene o resgate a bordo.

Schettino: Mas não se dá conta de que aqui está escuro e não vemos nada?

De Falco: Quer ir para casa, Schettino? Há uma hora que me repete o mesmo. Agora vá para bordo. Para bordo!

A capitania gravou a conversa à 01H46, mas o comandante, refugiado numa rocha desde a meia noite e meia, não regressou a bordo para dirigir as operações de resgate que se prolongaram até às seis da manhã, segundo os bombeiros. Em terra firme, os sobreviventes contaram a sua noite no inferno:

Um dos sobreviventes ingleses conta:

“Fomos bastante aventureiros e como somos bons nadadores, não estávamos preocupados por nós quatro, mas havia uma família francesa ao lado, com o filho de 10 ou 12 anos, que se atiraram também à água, como nós.”

No domingo, 15 de janeiro, um casal sul-coreano em lua de mel foi resgatado depois de 30 horas bloqueado na cabine.

Outros passageiros não tiveram a mesma sorte. Ao todo, o naufrágio do Costa Concordia custou a vida a 32 pessoas. O barco ficou sobre as rochas a poucos metros da ilha de Giglio.